sexta-feira, 21 de junho de 2019

GUERRA CIVIL NA SÍRIA

A ONU considera que a guerra civil na Síria é a maior crise humanitária do século XXI. Hoje, estima-se que o conflito vitimou ao menos 250 mil pessoas, que mais de 4,5 milhões tenham saído do país como refugiadas e que outros 6,5 milhões foram obrigadas a se deslocar dentro da Síria. Com a economia em frangalhos, quase 70% dos sírios que permaneceram agora vivem abaixo da linha de pobreza. Como começou tudo isso?

Março de 2011 na Síria. Um grupo de crianças em Daraa (ou Dera), no sul da Síria, pichou frases com críticas ao governo, e foi preso. Inconformadas, centenas de pessoas saem às ruas da cidade para protestar contra as restrições à liberdade promovidas pelo governo do ditador Bashar Al-Assad. Num primeiro momento, simpatizantes dos que se rebelaram contra o governo começaram a pegar em armas – primeiro para se defender e depois para expulsar as forças de segurança de suas regiões. Esse levante de pessoas nas ruas, lutando por democracia, faz parte de um movimento chamado Primavera Árabe e podemos dizer que esse processo culminou no início da guerra civil na Síria.

Após a represália do governo de Assad contra os jovens que estavam se rebelando contra o regime, alguns grupos foram formados a fim de combater, de fato, as forças governamentais e tomar o controle de cidades e vilas. A batalha chegou à capital, Damasco, e depois a Aleppo em 2012. Mas desde que começou, a guerra civil na Síria mudou muito.

O Estado Islâmico aproveitou o vácuo de representação por parte do governo, a revolta da sociedade civil e a guerra brutal que acontece Síria para fazer seu espaço. Foi conquistando territórios tão abrangentes, tanto na Síria como no Iraque, que proclamou seu ‘califado’ em 2014. Para isso, tiveram de lutar contra todos: rebeldes, governistas, outros grupos terroristas – como se tivessem feito uma guerra dentro da guerra.

Há evidências de que todas as partes cometeram crimes de guerra – como assassinato, tortura, estupro e desaparecimentos forçados. Também foram acusadas de causar sofrimento civil, em bloqueios que impedem fluxo de alimentos e serviços de saúde, como tática de confronto.

Agentes externos: EUA x Rússia - Pelo avanço do Estado Islâmico no ganho de territórios, os Estados Unidos fizeram ataques aéreos na Síria em tentativa de enfraquecê-lo, evitando ataques que pudessem beneficiar as forças de Assad – isso em 2014. Em 2015, a Rússia fez o mesmo contra terroristas na Síria, mas ativistas da oposição dizem que os ataques têm matado civis e rebeldes apoiados pelo Ocidente.

O resumo da obra em termos de apoio é esse: a Rússia e os Estados Unidos querem o fim do Estado Islâmico. Porém, os Estados Unidos querem a queda do governo de Bashar Al-Assad – por considerarem que seu regime não-democrático é prejudicial à Síria – e, por isso apoia os rebeldes; por outro lado, a Rússia acredita na força de Assad e está apoiando seu regime. A Síria, então, é o território do fogo cruzado dessa guerra fria.

Governo Sírio e Aliados - O governo sírio é liderado pelo ditador Bashar Al-Assad. Ele é sucessor de uma família que está no poder desde 1970. O regime no país era brutal com a população, de partido único e laico – apesar de a família Assad ser xiita. Apesar de não apoiarem o ditador, cristãos, xiitas e até parte da elite sunita preferem ver Assad no poder diante da possibilidade de ter um país tomado pelos extremistas.

Quanto às alianças externas, Assad conta com o apoio do Irã e do grupo libanês Hezbollah. Juntos eles formam um “eixo xiita” – ou seja, seguem essa interpretação da religião islâmica – no Oriente Médio. O grupo se opõe a Israel e disputa a hegemonia no Oriente Médio com as monarquias sunitas, lideradas pela Arábia Saudita. O principal aliado de fora é a Rússia, que mantém uma antiga parceria com a Síria. Tanto o apoio do Hezbollah e das milícias iranianas, quanto os bombardeios mais recentes realizados pelas forças russas têm sido fundamentais para a sobrevivência do regime de Assad.

GRUPOS REBELDES - Uma das primeiras forças internas que se rebelou contra o governo sírio, praticamente começando a guerra civil na Síria, foram os grupos sunitas – Assad é xiita. São chamados de “rebeldes moderados”, por não serem adeptos do radicalismo islâmico. A organização está envolvida com países da Europa e com os Estados Unidos com o objetivo de derrubar o governo de Assad. Três grandes potências no Oriente Médio também colaboram com os rebeldes: Turquia, Arábia Saudita e Catar, relevando os interesses dos países próximos à Síria, também.

EXTREMISTAS ISLÂMICOS - Entre os grupos que querem derrubar Assad, há também facções extremistas islâmicas, que estão fragmentadas em diversos grupos. Uma das organizações que mais conquistaram terreno, principalmente nos primeiros anos do conflito, foi a Frente Al-Nusra, um braço da rede extremista Al Qaeda na Síria. Posteriormente, a partir de 2013, o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) aproveitou-se da situação de caos criada pela guerra civil e, vindo do Iraque, avançou de forma avassaladora e brutal, ocupando metade do território sírio.

CURDOS - Os curdos também fazem parte da guerra civil na Síria. São uma etnia de 27 a 36 milhões de pessoas no mundo que vivem em diversos países, inclusive na Síria e em países vizinhos. Eles reivindicam a criação de um Estado próprio para o seu povo – o Curdistão. Desde o início do conflito na Síria uma milícia formada para defender as regiões habitadas pelos curdos no norte do país, se fortaleceu. Para o regime de Assad, tornaram-se bastante úteis, porque a milícia se opõe aos rebeldes moderados e também ao Estado Islâmico.

Estado Islâmico

O Estado Islâmico é um grupo terrorista e extremista que age em torno da religião islâmica. Surgiu de outra célula terrorista, pois se intitulava “Al Qaeda no Iraque” – e estava presente lutando contra as tropas estadunidenses que invadiram o país em 2003. Depois desse grupo quase se dissolver, ele renasceu em 2006 com o nome de Estado Islâmico.

É considerada a organização terrorista mais poderosa e perigosa no mundo hoje. Seu surgimento se relaciona diretamente à “Guerra ao Terror”, política externa do governo do ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush. Tal política foi uma resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001 cometidos pela organização terrorista Al Qaeda. Nesse contexto, quando os EUA invadiram o Iraque, vários movimentos se organizaram em entidades terroristas, que queriam combater as invasões – e o Estado Islâmico foi uma delas.

Em 2010, com o novo líder Abu Bakr al-Baghdadi, o grupo passou a ser reconhecido como “Estado Islâmico do Iraque e da Síria” (Islamic State of Irak and Syria – ISIS). Entre 2011 e 2013, devido aos conflitos na Síria no pós-primavera árabe, o ISIS  ganhou força, conforme foi aumentando o número de rebeldes lutando contra o regime.

Em 2014, o E.I. estava tão forte que dominou algumas áreas na Síria e no Iraque, as quais chamou de califados – o termo se refere aos antigos impérios islâmicos depois de Maomé, que seguiam rigorosamente as leis islâmicas. Esse é o principal objetivo do E.I.: tomar territórios para chamar de seu, criar esse Estado que tem como princípio as leis islâmicas e destruir tudo o que remeter ao Ocidente – em termos políticos, culturais, religiosos e históricos.

O Estado Islâmico toma posse de bases militares, bancos, campos de petróleo, em todas as áreas que conquista, a fim de dominar tudo o que existe no território. Dessa forma, também exerce controle sobre a população que reside ali, uma vez que agem como um verdadeiro Estado, com o líder (o califa), governo próprio, com ministérios, cortes islâmicas, segurança. Cobram impostos e taxas da população, também, além de vender petróleo ilegalmente.

O E.I. é conhecido por querer destruir a história – monumentos, estátuas, templos históricos -, mas também pela truculência com que age com civis, realizando sequestros e extorsões. A venda ilegal de petróleo, os sequestros e as extorsões garantem ao E.I. uma renda diária estimada em 2 milhões de dólares.

O Estado Islâmico é conhecido por suas estratégias de mortes coletivas. Ou seja, a organização promove execuções, decapitações, enforcamentos e amputações em massa e divulga os vídeos na internet. Eles fazem isso com os grupos que consideram infiéis – as minorias étnicas e religiosas, além de ocidentais – e os apóstatas – muçulmanos que teriam renegado a religião.

Os últimos ataques mais reverberados (repercutidos) na mídia, em escala mundial, tiveram a autoria assumida pelo Estado Islâmico. Essas ações, que tomaram lugar na Europa, nos Estados Unidos, além de outros países na Ásia e na África, mostram o poder de capilarização (ação de melhor distribuir) que a organização tem no mundo.

Os atentados foram:

O ataque no Bataclan, uma casa de shows em Paris, num bairro com vários restaurantes, cafés e boates do tipo, em 13 de novembro de 2015. Foram 130 pessoas mortas e 352 feridas, com tiros ou explosões – que não se limitaram ao Bataclan, e atingiram pessoas em outros locais da região. Especula-se que a ação foi uma retaliação aos ataques da França e dos EUA na região dominada pelo E.I. na Síria e no Iraque. Depois dos ataques na França, discutiu-se sobre a questão da segurança na União Europeia e, também, sobre as várias pessoas recrutadas pelo Estado Islâmico no continente. Alguns dos autores eram da Bélgica, mas haviam viajado diversas vezes à Síria naquele ano.
A bomba que atingiu e derrubou o avião russo da companhia Metrojet no Egito, em 31 de outubro de 2015. Estavam a bordo e morreram 224 pessoas.

Um ataque de homens-bomba matou 44 pessoas em Beirute, no Líbano.

Nos EUA, um casal que se disse integrante do Estado Islâmico atirou contra uma residência de apoio e tratamento a pessoas com deficiência. Deixaram 14 pessoas mortas.

Poder De Recrutamento - A organização ganhou força em 2011, quando a guerra civil na Síria, contra o ditador Bashar Al-Assad começou a se intensificar. Assim, desenvolveu um enorme poder de mobilização e uma capacidade operacional muito eficiente, com alto treinamento e muitos aparatos militares.

Não existem números exatos sobre a quantidade de pessoas que são parte da organização Estado Islâmico. Estima-se que são cerca de 35 mil pessoas, mas outras avaliações colocam números próximos a 100 mil. A organização utiliza desde vídeos no YouTube a posts nas redes sociais ou revistas online, em que profere discurso religioso que instiga o ódio para convidar pessoas a se juntar a eles.

As formas de recrutamento do E.I. são extremamente eficazes em diversas partes do mundo. Na Europa, por exemplo, existem muçulmanos decepcionados com a xenofobia que sofrem e com a falta de oportunidades e que, por isso, aceitam fazer parte do E.I. Já em lugares como a Síria, onde a guerra civil contra o ditador é extremamente violenta, alguns rebeldes se juntam ao grupo a fim de ganhar mais força na luta contra o governo.



P.S: Este texto foi escrito em 2017. Portanto, o tabuleiro geopolítico (e seus números) já foi bastante alterado.

sexta-feira, 8 de março de 2019

MATERIAL DE APOIO - EUROPA


EUROPA – ASPECTOS GERAIS e o PIONEIRISMO INGLÊS
A Europa é marcada por uma grande densidade de territórios independentes, fruto das relações históricas de disputas pelo poder.

A Europa é o segundo menor continente em superfície do mundo, cobrindo cerca de 10 180 000 km² ou 2% da superfície da Terra e cerca de 6,8% da área acima do nível do mar. Dos cerca de 50 países da Europa, a Rússia é o maior tanto em área quanto em população (sendo que a Rússia se estende por dois continentes, a Europa e a Ásia) e o Vaticano é o menor.

A Europa é o quarto continente mais populoso do mundo, após a Ásia, a África e a(s) América(s), com 731 milhões de habitantes, cerca de 11% da população mundial. No entanto, de acordo com a Organização das Nações Unidas (estimativa média), o peso europeu pode cair para cerca de 7% em 2050. Em 1900, a população europeia representava 25% da população mundial. As fronteiras para a Europa, um conceito que remonta à Antiguidade clássica, são um tanto arbitrárias, visto que o termo "Europa" pode referir-se a uma distinção cultural e política ou geográfica.

O continente europeu não possui características homogêneas, pois as disparidades se apresentam em diversos aspectos como paisagens naturais, clima, política e cultura. O continente possui várias maneiras de ser regionalizado, uma delas é classificando em Europa Ocidental e Oriental.

A Europa é considerada o berço da “civilização” ocidental ou “Velho Mundo”, por ter desempenhado um papel preponderante na cena mundial a partir do século XVI, especialmente após o início do colonialismo. Entre os séculos XVI e XX, as nações europeias controlaram em vários momentos as Américas, a maior parte da África, a Oceania e grande parte da Ásia. Ambas as guerras mundiais foram em grande parte centradas na Europa, sendo considerado como o principal fator para um declínio do domínio da Europa Ocidental na política e economia mundial a partir de meados do século XX, com os Estados Unidos e a União Soviética ganhando maior protagonismo.

Durante a Guerra Fria, a Europa estava dividida ao longo da Cortina de Ferro entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte, a oeste, e o Pacto de Varsóvia, a leste. A vontade de evitar outra guerra acelerou o processo de integração europeia e levou à formação do Conselho Europeu e da União Europeia na Europa Ocidental, os quais, desde a queda do Muro de Berlim e do fim da União Soviética em 1991, têm vindo a expandir-se para o leste.

A regionalização antes e, principalmente, depois da Segunda Guerra Mundial gerou uma fronteira abstrata, isso significa o surgimento de uma barreira ideológica entre dois grupos de países que compõem o mesmo continente, de um lado os aliados dos Estados Unidos (capitalista) e do outro lado os que apoiam a União Soviética (socialista), consolidando de vez a Europa Ocidental e Oriental.
Com o declínio da URSS, e também do socialismo, surgiram diversas repúblicas autônomas que compunham o território soviético, no entanto, a independência não garantiu uma inserção eficaz na economia de mercado provenientes da herança do sistema produtivo da economia planificada que vigorava na URSS, que não conseguiu acompanhar as outras economias.

Sobre o pioneirismo inglês e sua problemática interna.

Antes da Revolução Industrial, a atividade produtiva era artesanal e manual, no máximo com o emprego de algumas máquinas simples. No artesanato um mesmo artesão cuidava de todo o processo, desde a obtenção da matéria-prima até à comercialização do produto final. Esses trabalhos eram realizados em oficinas nas casas dos próprios artesãos e os profissionais da época dominavam todas etapas do processo produtivo.

Com a Revolução Industrial os trabalhadores perderam o controle do processo produtivo, uma vez que passaram a trabalhar para um patrão (na qualidade de empregados ou operários), perdendo a posse da matéria-prima, do produto final e do lucro. O trabalho tornou-se, assim, alienado.

Foi a Inglaterra o país que saiu na frente no processo de Revolução Industrial do século XVIII. Este fato pode ser explicado por diversos fatores. A Inglaterra possuía grandes reservas de carvão mineral em seu subsolo, ou seja, a principal fonte de energia para movimentar as máquinas e as locomotivas à vapor. Além da fonte de energia, os ingleses possuíam grandes reservas de minério de ferro, a principal matéria-prima utilizada neste período. A mão de obra disponível em abundância (desde a Lei dos Cercamentos), também favoreceu a Inglaterra, pois havia uma massa de trabalhadores procurando emprego nas cidades inglesas do século XVIII.
A burguesia inglesa tinha capital suficiente para financiar as fábricas, comprar matéria-prima e máquinas e contratar empregados. O mercado consumidor inglês também pode ser destacado como importante fator que contribuiu para o pioneirismo inglês.

As fábricas do início da Revolução Industrial não apresentavam o melhor dos ambientes de trabalho. As condições das fábricas eram precárias. Eram ambientes com péssima iluminação, abafados e sujos. Os salários recebidos pelos trabalhadores eram muito baixos e chegava-se a empregar o trabalho infantil e feminino. Os empregados chegavam a trabalhar até 18 horas por dia e estavam sujeitos a castigos físicos dos patrões. Não havia direitos trabalhistas como, por exemplo, férias, décimo terceiro salário, auxílio doença, descanso semanal remunerado ou qualquer outro benefício. Quando desempregados, ficavam sem nenhum tipo de auxílio e passavam por situações de precariedade.
Em muitas regiões da Europa, os trabalhadores se organizaram para lutar por melhores condições de trabalho. Os empregados das fábricas fizeram greves, formaram os sindicatos com o objetivo de melhorar as condições de trabalho dos empregados. Houve também movimentos mais violentos como, por exemplo, o ludismo. Também conhecidos como "quebradores de máquinas", os ludistas invadiam fábricas e destruíam seus equipamentos numa forma de protesto e revolta com relação a vida dos empregados. O cartismo foi mais brando na forma de atuação, pois optou pela via política, conquistando diversos direitos políticos para os trabalhadores, como o direito a voto aos trabalhadores.
A Revolução tornou os métodos de produção mais eficientes. Os produtos passaram a ser produzidos mais rapidamente, barateando o preço e estimulando o consumo. Por outro lado, aumentou também o número de desempregados. As máquinas foram substituindo, aos poucos, a mão-de-obra humana. A poluição ambiental, o aumento da poluição sonora, o êxodo rural e o crescimento desordenado das cidades também foram consequências nocivas para a sociedade.
Na segunda metade do século XIX, países europeus como a Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica e Itália, eram considerados grandes potências industriais. Na América, eram os Estados Unidos quem apresentavam um grande desenvolvimento no campo industrial. Todos estes países exerceram atitudes imperialistas, pois estavam interessados em formar grandes impérios econômicos, levando suas áreas de influência para outros continentes.

Com o objetivo de aumentarem sua margem de lucro e também de conseguirem um custo consideravelmente baixo, estes países se dirigiram à África, Ásia e Oceania, dominando e explorando estes povos. Não muito diferente do colonialismo dos séculos XV e XVI, que utilizou como desculpa a divulgação do cristianismo; o neocolonialismo do século XIX usou o argumento de levar o progresso da ciência e da tecnologia ao mundo com base no *Darwinismo Social.

Na verdade, o que estes países realmente queriam era o reconhecimento industrial internacional, e, para isso, foram em busca de locais onde pudessem encontrar matérias primas e fontes de energia, bem como expandir seu mercado consumidor e adquirir mão de obra barata e até mesmo escrava. Os países escolhidos foram colonizados e seus povos desrespeitados. Um exemplo deste desrespeito foi o ponto culminante da dominação neocolonialista, quando países europeus dividiram entre si os territórios africano e asiático, sem sequer levar em conta as diferenças éticas e culturais destes povos.

Devido ao fato de possuírem os mesmo interesses, os colonizadores lutavam entre si para se sobressaírem comercialmente, e essa disputa, um pouco mais tarde, produziria a Primeira Grande Guerra Mundial. 


*O darwinismo social acredita na premissa da existência de sociedades superiores às outras, nessa condição, as que se sobressaem física e intelectualmente devem e acabam por se tornar as governantes. Por outro lado, as outras - menos aptas - deixariam de existir porque não eram capazes de acompanhar a linha evolutiva da sociedade.

domingo, 11 de novembro de 2018

DE QUEM É A CULPA?



Sobre os chamados “DESASTRES NATURAIS” em Niterói, que estampam as capas dos jornais de hoje, é preciso entender:
Na natureza não existe desastre, o que presenciamos são FENÔMENOS, não é preciso ser especialista no assunto para perceber que as ações humanas os potencializam. Enquanto os seres humanos continuarem a ocupar encostas de morro, remover matas ciliares, degradar áreas ambientalmente protegidas, etc. E o Poder Público permanecer na inércia, a natureza continuará cobrando o seu preço.
Mais um ano de vidas perdidas... os próximos DESASTRES SOCIAIS da mesma NATUREZA serão em 2019.
A vida segue, os FENÔMENOS NATURAIS também.  

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Defensores dos “direitos trabalhistas”, Bonner e Renata recebem como PJs para fugir da CLT

A defesa dos “direitos trabalhistas” foi uma das principais pautas abordadas por William Bonner e Renata Vasconcellos durante entrevista feita com o candidato à presidência Jair Bolsonaro no Jornal Nacional da última terça-feira (28). Entretanto, um levantamento feito pelo ILISPmostra que tanto Bonner quanto Renata possuem pessoas jurídicas (PJs) para receber o pagamento da Rede Globo, fugindo da CLT e dos “direitos trabalhistas” que tanto defendem.
Durante a entrevista, Bonner pressionou para descobrir “quais direitos trabalhistas os brasileiros deixarão de ter em um governo Bolsonaro” e defendeu a PEC das Domésticas como “responsável por dignificar a profissão de milhões de trabalhadores brasileiros, dando a eles direitos que até então não tinham”. Já Renata cobrou projetos trabalhistas para combater a farsa da “desigualdade salarial entre gêneros”. Os apresentadores, por outro lado, desfrutam da liberdade trabalhista proporcionada pelo uso de PJs há anos.
William Bonemer Junior (“William Bonner”) é sócio de duas empresas: “Tigris Producoes Artisticas Eireli” (CNPJ 57.186.074/0001-81) e “Jumacla Participacoes Ltda” (CNPJ 28.572.392/0001-82). A Tigris é uma empresa individual de responsabilidade limitada aberta no dia 19 de março de 1987, nove meses depois de Bonner ser contratado pela Rede Globo para trabalhar no SPTV, e possui como atividades principais os serviços de televisão aberta e jornalismo. Já a Jumacla foi aberta há menos de um ano (04 de setembro de 2017) para atuar nas atividades de aplicações financeiras e participação em empresas com capital social de R$ 14,6 milhões de reais, mas se encontra em processo de extinção. Bonner recebe R$ 800 mil mensais da Rede Globo.
Tigris, a PJ de Bonner, foi aberta há 31 anos. Fonte: Receita Federal
Já Renata Fernandes Vasconcellos possui uma pessoa jurídica aberta, a “Apress Divulgacao E Promocoes Ltda” (CNPJ 02.176.454/0001-43), cuja atividade principal é “artes cênicas, espetáculos e atividades complementares”. A Apress é uma sociedade simples limitada e foi aberta no dia 1° de agosto de 1997, quando Renata começou a apresentar o Jornal Hoje na Rede Globo. A mãe de Renata, Fernanda Saraiva Fernandes, é sócia minoritária da Apress. Renata recebe R$ 200 mil mensais da Rede Globo.
Apress, a PJ de Renata, foi aberta há 21 anos. Fonte: Receita Federal

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

A crise da dívida soberana europeia resultou de uma complexa combinação de fatores, tais como: a globalização dos mercados financeiros; facilidades nas condições de crédito no período 2002-2008 que encorajaram práticas com elevados riscos de crédito; a crise financeira global de 2007-2012; desequilíbrios no comércio internacional; o fim da bolha imobiliária; a recessão global de 2008-2012; políticas orçamentais resultando em défices crónicos; as soluções usadas pelos países para resgatar a banca e investidores provados em dificuldades, transferindo para a dívida pública o passivo dessas entidades.

A origem da crise da dívida pública tem raízes na crise financeira do final da década de 2000, quando a falência do Lehman Brothers em 2008 mergulhou o sistema financeiro global numa crise e abriu caminho para a maior crise económica desde a Grande Depressão.
Os governos de alguns estados lançaram, naquela altura, uma operação para salvar os bancos, envolvendo somas enormes de fundos públicos superiores a 20% do PIB mundial. Isto conseguiu travar o agravamento da situação e o consequente colapso dos mercados financeiros, mas não impediu o alastramento da crise à restante economia.
Esta intervenção deu lugar a uma nova fase da crise: a da dívida pública, que afeta em particular os grandes estados, como os Estados Unidos (com um terço do total mundial), a Europa e o Japão, acabando por ter uma especial incidência na União Europeia, e em particular nos Estados-membros periféricos.

domingo, 9 de abril de 2017

Comida típica do africano:



Legumes:
Batata doce
Quiabo
Melancia
Mandioca
Amendoins
Repolho
Amendoins


Carnes:
Frango
Carne de porco
Bife
Variedade de peixes locais

Plantas:
Alho
Pimenta Melegueta - "West Africa" (substituto de cardamomo)
Cravos-da-índia
Pimenta Preta
Cardamomo
Noz-Moscada
Curcuma
Arroz Mix
Caril em pó
Outras comidas típicas:
Limão
Arroz

terça-feira, 21 de março de 2017

Crise Humanitária Internacional: O Drama dos Refugiados Sírios


Imagem capturada na Internet para fins ilustrativo
Fonte: BBC Brasil

Não resta dúvida que o drama dos refugiados sírios é um fato grave - de grande impacto internacional - que não deve ser ignorado nem por conta de sua origem e nem por seus efeitos sobre milhões de famílias, as quais continuam migrando para diversos países, de diferentes continentes, inclusive o Brasil, vítimas da guerra civil e, também, da violência e atrocidades praticadas pelo grupo terrorista“Estado Islâmico” (EI) em seu país. 

Estado Islâmico foi criado, em 2013, de uma ramificação da organização terrorista al-Qaeda (fundada por Osama Bin Laden, morto em 2011), da qual desmembrou-se e passou a atuar de acordo com os seus próprios princípios. Ele é considerado o grupo terrorista mais radical e violento da atualidade (até mais que a própria Al-Qaeda). 

Síria, nome oficial República Árabe da Síria, está localizada naÁsia, mais especificamente, no Oriente Médio
 

 Imagem capturada na Internet e modificada

com marcação na Síria

Para entender a origem da guerra civil por qual o país enfrenta e que responde pela crise migratória devemos voltar ao tempo...   

Em março de 2011, a população síria, a exemplo de outros países do Norte da África e do Oriente Médio, iniciou um levante contra o governo ditatorial do seu presidente, Bashar Assad, movida pelo desencadeamento da Primavera Árabe (movimento de revoltas populares contra os governos ditatoriais, autoritários, iniciado na Tunísia, em 2011 e que se estendeu a outros países árabes).

presidente Bashar al-Assad, que está no poder há 15 anos, desde julho de 2000, prometeu mudanças no país e, ainda, ressaltou que seria diferente do seu pai, Hafez Assad, que governou a Síria por 29 anos (1971-2000) sob um regime também autoritário. Mas, apesar dele ter-se mostrado mais aberto e a favor da democracia, este - com o passar do tempo - acabou se revelando mais um Chefe de Estado autoritário, submetendo a população civil à total falta de liberdade e outras políticas estratégicas, severas, de total controle sobre o país e o seu povo.  
  Presidente da Síria - Bashar al-Assad
Imagem capturada na Internet
Fonte: Wikipédia

Inicialmente, as manifestações populares na Síria ocorreram de forma pacífica, no entanto, com o aumento da repressão das tropas do governo, a violência aumentou igualmente dos ambos, os lados e, com isso, os manifestantes recorreram à luta armada, dando início, assim, à guerra civil no país, em 2012, quando a ONU reconheceu a gravidade do conflito interno como tal. 
 
Um dos pontos mais críticos da guerra civil foi o ataque com arma química letal, o sarin, por parte do governo de  Bashar al-Assad, no dia 21 de agosto de 2013, que resultou na morte de mais de 1.400 pessoas. O ataque químico foi confirmado depois da análise de amostras de sangue das vítimas e a constatação que 85% delas tiveram resultado positivo para o gás sarin.

 Corpos das vítimas pelo ataque químico na Síria.
Imagem capturada na Internet (Fonte: Último Segundo) 

Embora, as mídias destaquem a chegada de muitos refugiados no continente europeu, os países que mais receberam os fluxos migratórios de sírios foram, justamente, aqueles que estão mais próximos da Síria, ou seja, aqueles que fazem fronteira com o país, como a Turquia (ao norte), Jordânia (ao sul), o Líbano (a oeste) e o Iraque (a leste).

De acordo com as informações publicadas no site BBC Brasil, entre estes, o que mais recebeu os refugiados sírios até 06 de setembro de 2015 foi a Turquia (1.938.999), seguido pelo Líbano (1.113.941), Jordânia (629.266) e Iraque (249.463), totalizando em 4.088.099 de registros de refugiados sírios.

Diferentemente das expectativas de obter refúgio em um país da União Europeia, muitos que se encontram nestes países asiáticos, fronteiriços, estão passando muitas dificuldades. 

No Líbano, por exemplo, 70% das famílias de refugiados vivemabaixo da linha da pobreza (vivendo com menos de US$ 1 por dia). Na Jordânia, a situação não difere, pois dos 629.266 sírios que vivem no país – 520 mil deles fora dos campos de refugiados – 86% em áreas urbanas e rurais se encontram, também, vivendo abaixo da linha da pobreza.
 
Por isso, segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), a maioria dos refugiados se encontra endividada, sendo obrigada a praticar a mendicância (pedir esmolas), a retirar os filhos das escolas e, até mesmo, reduzir o consumo de alimentos. Esta situação se agravou com o corte de financiamento dos programas de ajuda humanitária (corte de verbas).

Os países do Golfo (Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes, Catar, Bahrein e Omã), por sua vez, preferiram doar dinheiro ao invés de abrir suas fronteiras e abrigar os refugiados sírios. Esses países, além de temerem pela segurança e estabilidade de seus territórios, não reconhecem a condição de refugiados, eles não assinaram a Convenção de Refugiados de 1951 ou Estatuto dos Refugiados, que foi elaborado durante a Conferência de Plenipotenciários das Nações Unidas, em Genebra (Suíça), em julho de 1951 e que entrou em vigor em 22 de abril de 1954. 
 
A referida Convenção consolida instrumentos legais, internacionais, de reconhecimento e proteção aos refugiados, instituindo os direitos dos mesmos a nível mundial, desde os padrões básicos para o tratamento dos mesmos a ser seguido pelos Estados (sem impor limites), assim como outros procedimentos que implicam na não discriminação por raça, religião, sexo e país de origem. 

Entre suas cláusulas principais, tem-se a definição do termo “refugiado” e o chamado Princípio de “non-refoulement(“não-devolução”), que institui que nenhum país deve expulsar ou “devolver” um refugiado, contra a vontade do mesmo, em qualquer período, para um território onde ele sofra perseguição e, com isso, a sua vida e liberdade corram perigo. Além destes, a mesma determina que providências devem ser tomadas para a disponibilização de documentos aos refugiados, incluindo documentos de viagem específicos, na forma de passaporte. 
 
Para os fins da referida Convenção, o termo “refugiado” é aplicado à pessoa que:

temendo ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a grupo social ou opiniões políticas, se encontra fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou, em virtude desse temor, não quer valer-se da proteção desse país, ou que, se não tem nacionalidade e se encontra fora do país no qual tinha a sua residência habitual em consequência de tais acontecimentos, não pode ou, devido ao referido temor, não quer voltar a ele.” (Manual de Procedimentos e Critérios para a Determinação da Condição de Refugiado, ACNUR, 2011: pag.11)

O destaque midiático sobre os refugiados sírios no continente europeu, inclusive correlacionando-os como “crise humanitária na Europa” justifica-se - entre outros - pelos seguintes aspectos:
 
- As duas rotas principais que os sírios utilizam para entrar no continente europeu são por terra ou por mar, melhor dizendo, muitos preferem cruzar a Turquia por terra até chegar à Grécia e depois prosseguir até ao seu destino final ou partir para a Líbia, no Norte da África e, de lá, atravessar o Mar Mediterrâneo para desembarcar na Itália.

 

- A rota principal deles, o Mar Mediterrâneo (porção oriental), são expressivas as incidências de embarcações precárias, superlotadas de famílias sírias, com muitas crianças e jovens, tendo diversos registros de naufrágios e vítimas fatais (mortes).

Muitas das imagens publicadas nas mídias são fortes e impactantes, como estas - abaixo - que comoveram o mundo todo;
 
Refugiado sírio, chorando, com seus filhos 
ao chegar na ilha Kos, na Grécia
Imagem capturada na Internet (Fonte: UOL Notícias)
 
O menino Alyan Kurdi, 3 anos, morto em uma praia na Turquia. Sua mãe e seu irmão (5 anos),
 também, morreram afogados, só o pai sobreviveu 
Imagem capturada na Internet (Fonte: G1 Mundo)
 
 - A políticas de fechamento de fronteiras por parte de determinados governos europeus aos refugiados sírios, os quais temem pela segurança e estabilidade do seu país ou, ainda, outros por apresentar uma economia mais vulnerável em face da crise da Zona do Euro.
 
Hungria, por exemplo, fechou as fronteiras com cercas para impedir a entrada dos mesmos, enviando, inclusive, soldados a fim de garantir a ordem e a segurança. 

 
Cerca na fronteira da Hungria com a Sérvia
Imagem capturada na Internet (Fonte: Revista Exame)
 
Grécia, diante de sua situação econômica frágil, pediu ajuda emergencial à União Europeia para acolher os refugiados. Por sua localização geográfica estratégica é um dos países de entrada à Europa, de maior acesso dos refugiados, à partir da rota pela Turquia;

- As altas expectativas para o refúgio em território europeu devido o nível de desenvolvimento dos países, mesmo estando a União Europeia mergulhada em uma crise econômica e financeira (sobretudo, a chamada Zona do Euro). Como a maioria dos refugiados tem nível de escolaridade básico e médio, estes podemsuprir a falta de mão de obra no mercado de trabalho em muitos países, alavancando a economia dos mesmos, como é o caso daAlemanha e do Reino Unido.
 
Na verdade, estas mediações consistem em um jogo de interesses políticos e econômicos. O próprio governo da Alemanha, país que está mais aberto a acolher os sírios, deixou de acatar a chamada “Regulação de Dublin” (Lei da União Europeia), que determina que o refugiado deve requisitar asilo político no primeiro país da União Europeia ao qual entrou ao chegar no continente, em agosto deste ano, abriu uma exceção quanto a isso, permitindo que os refugiados se registrassem direto em seu país, independente de outras nações que os mesmos já tivessem entrado antes.
 
Imagem capturada na Internet (Fonte: BBC Brasil)
 
Embora, a Alemanha tenha um histórico de movimentos nacionalistasxenófobos, de atuação de grupos neonazistassimpatizantes à imagem e às ideias de Adolf Hitler e, com isso, deaversão e violência aos imigrantes (estrangeiros), o país tem muito a ganhar com a vinda dos refugiados sírios mediante não só à crise econômica mundial, mas também em termos de seusindicadores sociais, como a baixa taxa de natalidade e aexpectativa de vida elevada de sua população.
 
Melhor dizendo, o Estado se mostra preocupado com os rumos do país tanto em termos da economia em face da crise mundial quanto pelo fato de haver um menor número de jovens para o mercado de trabalho (População Economicamente Ativa - PEA), enquanto se verifica um aumento da população idosa e pensionista, o que representa um comprometimento ao sistema de Previdência Social do país.
 
Com a abertura de suas fronteiras e abrigo aos refugiados sírios, aAlemanha só tem a se beneficiar economicamente. Com esta política de acolhimento, o país acabou se tornando o destino mais procurado pelos imigrantes que chegam ao continente, tornando o país europeu com o maior número de pedidos de asilo. 
 
Só neste ano (2015) até o final do mês de julho, foram mais de 188 mil pedidos de asilo (15.416 a mais do ano de 2014).
 
Refugiado com a imagem da Chanceler alemã, 
Angela Merkel, deixando Budapeste (Hungria).  
Imagem capturada na Internet (Fonte: UOL Notícias)
  
Contudo, na opinião de muitos, as respostas concretas dos governos sobre o drama dos refugiados sírios ainda se mostrammuito incipientes em face de sua extensão, que vai além dodeslocamento físico, internacional, remetendo a violações dos direitos humanos tanto no contexto da situação de sua terra natal (guerra civil e atuação do grupo terrorista Estado Islâmico) quanto na travessia - via terra e/ou mar - a outro país e, em muitos casos, no âmbito do próprio território a qual foi acolhido como refugiado
 
Devemos refletir não só pela questão socioeconômica como também a psicológica por meio das perdas materiais (abandono de seus lares, perda do emprego, mudanças drásticas do padrão de vida, fugindo somente com a roupa do corpo) e, sobretudo, as perdas humanas (mortes de familiares tanto em consequência dos conflitos internos quanto pela travessia arriscada até à Europa).
 
Os problemas não acabam com o registro e acolhimento em um país estrangeiro, pois além de ter que se adaptar e reconstruir a vida ànova realidade política, econômica, social e cultural, estes passam por muitas dificuldades, antes nem imagináveis (abrigos provisórios e precários, material de consumo insuficiente, roupas, alimentos, entre outros recursos necessários para assegurar condições razoáveis de sobrevivência).
 
Talvez o medo de muitos países, diante do grande fluxo migratório da população síria, seja o grande empecilho a um comprometimento maior dos mesmos às suas causas. Na verdade, espera-se que o conflito na Síria, embora de difícil mediação até hoje, tenha um fim satisfatório, possibilitando que as famílias sírias retornem e retomem as suas vidas em sua terra natal.
 
vice-chanceler alemão Sigmar Gabriel e o ex-chanceler britânico David Miliband, em artigo publicado no DW (clique nolink para ler o artigo na íntegra) afirmam que a adesão dos governos da União Europeia e de outros continentes, neste momento, torna-se imprescindível na amenização da realidade crítica dos refugiados sírios.
 

Nenhum país pode resolver sozinho uma crise desta magnitude. Mesmo a Europa não pode fazer isso, com a melhor boa vontade do mundo. Uma crise global requer uma resposta global. Mas a Europa vai se tornar muito mais capaz de convencer os Estados Unidos, os Estados do Golfo e outros governos – que ainda não se comprometeram com o problema – a também contribuírem, se adaptar suas próprias ações à dimensão do problema”.

Mesmo com toda a distância geográfica, o governo brasileiro vem facilitando e mantendo uma política de concessão aos refugiados sírios, a partir de uma Resolução, em 2013. Esta política fez com que o Brasil se destacasse, em termos de solidariedade e acolhimento, no contexto da atual crise humanitária internacional. 

De acordo com os dados do Comitê Nacional para os Refugiados(Conare), órgão ligado ao Ministério da Justiça, o número de refugiados sírios que o Brasil acolheu é maior que o número dos EUA, de outros países da América Latina e de muitos docontinente europeu

Só para se ter uma ideia, entre os muitos povos que receberam statusde refugiados em nosso país, a população síria é a maior, seguida pela angolanacolombiana e congolesa. No período de2011 até agosto de 2015, o governo brasileiro atendeu pedidos de2.077 sírios

No continente americano, ele só perde para o Canadá que, no período de janeiro de 2014 a janeiro de 2015, recebeu 2.374 refugiados. 

No entanto, assim como nos demais países, as famílias sírias refugiadas têm encontrado dificuldades em reconstruir suas vidas, em nosso país, em razão – sobretudo - da falta de emprego e de uma moradia definitiva. Não esquecendo que o país, também, está passando por momentos difíceis diante da crise econômica mundial. 

Para piorar, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Agência da ONU, que fornece abrigo, água potável, saneamento e assistência médica aos refugiados, necessitam da ajuda da população civil e/ou entidades privadas através de doações a fim de assegurar o atendimento aos mesmos. 

Como era de se esperar, ao mesmo tempo em que os partidos anti-imigração avançam, sentimentos nacionalistas e xenófobos(aversão ao imigrante) tem ressurgido em vários países da Europa, configurando-se mais um problema a ser enfrentado pelos refugiados, como vítimas em potencial e, as autoridades locais, com vistas a impedir a violência.
 

É preciso fazer mais! Muito mais...
 
“Mas além de abrir suas portas, se faz importante que o país implemente uma política de acolhimento e atenção às necessidades específicas dos refugiados, pautada pela reintegração. É preciso garantir que estas pessoas explorem ou continuem a explorar seus potenciais como seres humanos, enriquecendo a cultura local e contribuindo para o desenvolvimento nacional. (...) isolar, excluir e ignorar minorias apenas presta um desserviço à população, fomenta intolerâncias, preconceitos, discriminação e violência, minando mesmo a segurança pública”.  (Adus - Instituto de Reintegração do Refugiado).
 
Fontes de Consulta
 
. CUKIER, Heni Ozi. O Dilema dos Refugiados na Europa - Revista Exame
 
. ELSAYED-ALI, Sherif. Abrir os Corações à Crise de Refugiados da Síria - Público
 
. Estado Islâmico: Grupo Terrorista – História do Mundo
 
. Hostilidade contra migrantes e estrangeiros cresce na Europa – Revista Exame
 
. Hungria inicia construção de quarta cerca contra imigrantes, diz TV oficial – G1
 
. Jornal O Globo (impresso - várias edições)
 
. O que é a Convenção de 1951? ACNUR
 
. Opinião: Europa tem que fazer mais pelos refugiados - DW –Made for Minds
 
. Para os refugiados, as dificuldades não acabam após a travessia de fronteiras – nem se encerram os sofrimentos e lutas - Adus -Instituto de Reintegração do Refugiado.
 
. Político corta cerca anti-imigrantes na Hungria em protesto –Revista Exame
 
Por que os refugiados querem ir à Alemanha? BBC Brasil