sexta-feira, 5 de abril de 2019
sexta-feira, 8 de março de 2019
MATERIAL DE APOIO - EUROPA
EUROPA –
ASPECTOS GERAIS e o PIONEIRISMO INGLÊS
A
Europa é marcada por uma grande densidade de territórios independentes, fruto
das relações históricas de disputas pelo poder.
A Europa é o segundo menor continente em
superfície do mundo, cobrindo cerca de 10 180 000 km² ou 2% da superfície da
Terra e cerca de 6,8% da área acima do nível do mar. Dos cerca de 50 países da
Europa, a Rússia é o maior tanto em área quanto em população (sendo que a
Rússia se estende por dois continentes, a Europa e a Ásia) e o Vaticano é o
menor.
A Europa é o quarto continente mais populoso
do mundo, após a Ásia, a África e a(s) América(s), com 731 milhões de
habitantes, cerca de 11% da população mundial. No entanto, de acordo com a
Organização das Nações Unidas (estimativa média), o peso europeu pode cair para
cerca de 7% em 2050. Em 1900, a população europeia representava 25% da
população mundial. As fronteiras para a Europa, um conceito que remonta à
Antiguidade clássica, são um tanto arbitrárias, visto que o termo
"Europa" pode referir-se a uma distinção cultural e política ou
geográfica.
O continente europeu não possui
características homogêneas, pois as disparidades se apresentam em diversos aspectos
como paisagens naturais, clima, política e cultura. O continente possui várias
maneiras de ser regionalizado, uma delas é classificando em Europa Ocidental e
Oriental.
A Europa é considerada o berço da “civilização”
ocidental ou “Velho Mundo”, por ter desempenhado um papel preponderante na cena
mundial a partir do século XVI, especialmente após o início do colonialismo.
Entre os séculos XVI e XX, as nações europeias controlaram em vários momentos
as Américas, a maior parte da África, a Oceania e grande parte da Ásia. Ambas
as guerras mundiais foram em grande parte centradas na Europa, sendo
considerado como o principal fator para um declínio do domínio da Europa
Ocidental na política e economia mundial a partir de meados do século XX, com
os Estados Unidos e a União Soviética ganhando maior protagonismo.
Durante a Guerra Fria, a Europa estava
dividida ao longo da Cortina de Ferro entre a Organização do Tratado do
Atlântico Norte, a oeste, e o Pacto de Varsóvia, a leste. A vontade de evitar
outra guerra acelerou o processo de integração europeia e levou à formação do
Conselho Europeu e da União Europeia na Europa Ocidental, os quais, desde a
queda do Muro de Berlim e do fim da União Soviética em 1991, têm vindo a
expandir-se para o leste.
A regionalização antes e, principalmente,
depois da Segunda Guerra Mundial gerou uma fronteira abstrata, isso significa o
surgimento de uma barreira ideológica entre dois grupos de países que compõem o
mesmo continente, de um lado os aliados dos Estados Unidos (capitalista) e do
outro lado os que apoiam a União Soviética (socialista), consolidando de vez a
Europa Ocidental e Oriental.
Com o declínio da URSS, e também do
socialismo, surgiram diversas repúblicas autônomas que compunham o território
soviético, no entanto, a independência não garantiu uma inserção eficaz na
economia de mercado provenientes da herança do sistema produtivo da economia
planificada que vigorava na URSS, que não conseguiu acompanhar as outras
economias.
Sobre o
pioneirismo inglês e sua problemática interna.
Antes da Revolução Industrial, a atividade
produtiva era artesanal e manual, no máximo com o emprego de algumas máquinas
simples. No artesanato um mesmo artesão cuidava de todo o processo, desde a
obtenção da matéria-prima até à comercialização do produto final. Esses
trabalhos eram realizados em oficinas nas casas dos próprios artesãos e os
profissionais da época dominavam todas etapas do processo produtivo.
Com a Revolução Industrial os trabalhadores
perderam o controle do processo produtivo, uma vez que passaram a trabalhar
para um patrão (na qualidade de empregados ou operários), perdendo a posse da
matéria-prima, do produto final e do lucro. O trabalho tornou-se, assim,
alienado.
Foi a Inglaterra o país que saiu na frente
no processo de Revolução Industrial do século XVIII. Este fato pode ser
explicado por diversos fatores. A Inglaterra possuía grandes reservas de carvão
mineral em seu subsolo, ou seja, a principal fonte de energia para movimentar
as máquinas e as locomotivas à vapor. Além da fonte de energia, os ingleses
possuíam grandes reservas de minério de ferro, a principal matéria-prima
utilizada neste período. A mão de obra disponível em abundância (desde a Lei
dos Cercamentos), também favoreceu a Inglaterra, pois havia uma massa de
trabalhadores procurando emprego nas cidades inglesas do século XVIII.
A burguesia inglesa tinha capital suficiente
para financiar as fábricas, comprar matéria-prima e máquinas e contratar
empregados. O mercado consumidor inglês também pode ser destacado como
importante fator que contribuiu para o pioneirismo inglês.
As fábricas do início da Revolução
Industrial não apresentavam o melhor dos ambientes de trabalho. As condições
das fábricas eram precárias. Eram ambientes com péssima iluminação, abafados e
sujos. Os salários recebidos pelos trabalhadores eram muito baixos e chegava-se
a empregar o trabalho infantil e feminino. Os empregados chegavam a trabalhar
até 18 horas por dia e estavam sujeitos a castigos físicos dos patrões. Não
havia direitos trabalhistas como, por exemplo, férias, décimo terceiro salário,
auxílio doença, descanso semanal remunerado ou qualquer outro benefício. Quando
desempregados, ficavam sem nenhum tipo de auxílio e passavam por situações de
precariedade.
Em muitas regiões da Europa, os
trabalhadores se organizaram para lutar por melhores condições de trabalho. Os
empregados das fábricas fizeram greves, formaram os sindicatos com o objetivo
de melhorar as condições de trabalho dos empregados. Houve também movimentos
mais violentos como, por exemplo, o ludismo. Também conhecidos como
"quebradores de máquinas", os ludistas invadiam fábricas e destruíam
seus equipamentos numa forma de protesto e revolta com relação a vida dos
empregados. O cartismo foi mais brando na forma de atuação, pois optou pela via
política, conquistando diversos direitos políticos para os trabalhadores, como
o direito a voto aos trabalhadores.
A Revolução tornou os métodos de produção
mais eficientes. Os produtos passaram a ser produzidos mais rapidamente,
barateando o preço e estimulando o consumo. Por outro lado, aumentou também o
número de desempregados. As máquinas foram substituindo, aos poucos, a
mão-de-obra humana. A poluição ambiental, o aumento da poluição sonora, o êxodo
rural e o crescimento desordenado das cidades também foram consequências
nocivas para a sociedade.
Na segunda metade do século XIX, países
europeus como a Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica e Itália, eram
considerados grandes potências industriais. Na América, eram os Estados Unidos
quem apresentavam um grande desenvolvimento no campo industrial. Todos estes
países exerceram atitudes imperialistas, pois estavam interessados em formar
grandes impérios econômicos, levando suas áreas de influência para outros
continentes.
Com o objetivo de aumentarem sua margem de
lucro e também de conseguirem um custo consideravelmente baixo, estes países se
dirigiram à África, Ásia e Oceania, dominando e explorando estes povos. Não
muito diferente do colonialismo dos séculos XV e XVI, que utilizou como
desculpa a divulgação do cristianismo; o neocolonialismo do século XIX usou o
argumento de levar o progresso da ciência e da tecnologia ao mundo com base no
*Darwinismo Social.
Na verdade, o que estes países realmente
queriam era o reconhecimento industrial internacional, e, para isso, foram em
busca de locais onde pudessem encontrar matérias primas e fontes de energia,
bem como expandir seu mercado consumidor e adquirir mão de obra barata e até
mesmo escrava. Os países escolhidos foram colonizados e seus povos
desrespeitados. Um exemplo deste desrespeito foi o ponto culminante da
dominação neocolonialista, quando países europeus dividiram entre si os
territórios africano e asiático, sem sequer levar em conta as diferenças éticas
e culturais destes povos.
Devido ao fato de possuírem os mesmo
interesses, os colonizadores lutavam entre si para se sobressaírem
comercialmente, e essa disputa, um pouco mais tarde, produziria a Primeira
Grande Guerra Mundial.
*O
darwinismo social acredita na premissa da existência de sociedades superiores
às outras, nessa condição, as que se sobressaem física e intelectualmente devem
e acabam por se tornar as governantes. Por outro lado, as outras - menos aptas
- deixariam de existir porque não eram capazes de acompanhar a linha evolutiva
da sociedade.
domingo, 11 de novembro de 2018
DE QUEM É A CULPA?
Sobre os chamados “DESASTRES NATURAIS” em
Niterói, que estampam as capas dos jornais de hoje, é preciso entender:
Na natureza não existe desastre, o que
presenciamos são FENÔMENOS, não é preciso ser especialista no assunto para
perceber que as ações humanas os potencializam. Enquanto os seres humanos
continuarem a ocupar encostas de morro, remover matas ciliares, degradar áreas
ambientalmente protegidas, etc. E o Poder Público permanecer na inércia, a
natureza continuará cobrando o seu preço.
Mais um ano de vidas perdidas... os próximos
DESASTRES SOCIAIS da mesma NATUREZA serão em 2019.
A vida segue, os FENÔMENOS NATURAIS também.
sábado, 22 de setembro de 2018
sexta-feira, 21 de setembro de 2018
domingo, 9 de setembro de 2018
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
Defensores dos “direitos trabalhistas”, Bonner e Renata recebem como PJs para fugir da CLT
A defesa dos “direitos trabalhistas” foi uma das principais pautas abordadas por William Bonner e Renata Vasconcellos durante entrevista feita com o candidato à presidência Jair Bolsonaro no Jornal Nacional da última terça-feira (28). Entretanto, um levantamento feito pelo ILISPmostra que tanto Bonner quanto Renata possuem pessoas jurídicas (PJs) para receber o pagamento da Rede Globo, fugindo da CLT e dos “direitos trabalhistas” que tanto defendem.
Durante a entrevista, Bonner pressionou para descobrir “quais direitos trabalhistas os brasileiros deixarão de ter em um governo Bolsonaro” e defendeu a PEC das Domésticas como “responsável por dignificar a profissão de milhões de trabalhadores brasileiros, dando a eles direitos que até então não tinham”. Já Renata cobrou projetos trabalhistas para combater a farsa da “desigualdade salarial entre gêneros”. Os apresentadores, por outro lado, desfrutam da liberdade trabalhista proporcionada pelo uso de PJs há anos.
William Bonemer Junior (“William Bonner”) é sócio de duas empresas: “Tigris Producoes Artisticas Eireli” (CNPJ 57.186.074/0001-81) e “Jumacla Participacoes Ltda” (CNPJ 28.572.392/0001-82). A Tigris é uma empresa individual de responsabilidade limitada aberta no dia 19 de março de 1987, nove meses depois de Bonner ser contratado pela Rede Globo para trabalhar no SPTV, e possui como atividades principais os serviços de televisão aberta e jornalismo. Já a Jumacla foi aberta há menos de um ano (04 de setembro de 2017) para atuar nas atividades de aplicações financeiras e participação em empresas com capital social de R$ 14,6 milhões de reais, mas se encontra em processo de extinção. Bonner recebe R$ 800 mil mensais da Rede Globo.

Já Renata Fernandes Vasconcellos possui uma pessoa jurídica aberta, a “Apress Divulgacao E Promocoes Ltda” (CNPJ 02.176.454/0001-43), cuja atividade principal é “artes cênicas, espetáculos e atividades complementares”. A Apress é uma sociedade simples limitada e foi aberta no dia 1° de agosto de 1997, quando Renata começou a apresentar o Jornal Hoje na Rede Globo. A mãe de Renata, Fernanda Saraiva Fernandes, é sócia minoritária da Apress. Renata recebe R$ 200 mil mensais da Rede Globo.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018
A crise da dívida soberana europeia resultou de uma complexa combinação de fatores, tais como: a globalização dos mercados financeiros; facilidades nas condições de crédito no período 2002-2008 que encorajaram práticas com elevados riscos de crédito; a crise financeira global de 2007-2012; desequilíbrios no comércio internacional; o fim da bolha imobiliária; a recessão global de 2008-2012; políticas orçamentais resultando em défices crónicos; as soluções usadas pelos países para resgatar a banca e investidores provados em dificuldades, transferindo para a dívida pública o passivo dessas entidades.
A origem da crise da dívida pública tem raízes na crise financeira do final da década de 2000, quando a falência do Lehman Brothers em 2008 mergulhou o sistema financeiro global numa crise e abriu caminho para a maior crise económica desde a Grande Depressão.
Os governos de alguns estados lançaram, naquela altura, uma operação para salvar os bancos, envolvendo somas enormes de fundos públicos superiores a 20% do PIB mundial. Isto conseguiu travar o agravamento da situação e o consequente colapso dos mercados financeiros, mas não impediu o alastramento da crise à restante economia.
Esta intervenção deu lugar a uma nova fase da crise: a da dívida pública, que afeta em particular os grandes estados, como os Estados Unidos (com um terço do total mundial), a Europa e o Japão, acabando por ter uma especial incidência na União Europeia, e em particular nos Estados-membros periféricos.
quinta-feira, 23 de novembro de 2017
domingo, 9 de abril de 2017
Comida típica do africano:
Legumes:
Batata doce
Quiabo
Melancia
Mandioca
Amendoins
Repolho
Amendoins
Carnes:
Frango
Carne de porco
Bife
Variedade de peixes locais
Frango
Carne de porco
Bife
Variedade de peixes locais
Plantas:
Alho
Pimenta Melegueta - "West Africa" (substituto de cardamomo)
Cravos-da-índia
Pimenta Preta
Cardamomo
Noz-Moscada
Curcuma
Arroz Mix
Caril em pó
Outras comidas típicas:
Limão
Arroz
Alho
Pimenta Melegueta - "West Africa" (substituto de cardamomo)
Cravos-da-índia
Pimenta Preta
Cardamomo
Noz-Moscada
Curcuma
Arroz Mix
Caril em pó
Outras comidas típicas:
Limão
Arroz
terça-feira, 21 de março de 2017
Crise Humanitária Internacional: O Drama dos Refugiados Sírios
Imagem capturada na Internet para fins ilustrativo
Fonte: BBC Brasil
Não resta dúvida que o drama dos refugiados sírios é um fato grave - de grande impacto internacional - que não deve ser ignorado nem por conta de sua origem e nem por seus efeitos sobre milhões de famílias, as quais continuam migrando para diversos países, de diferentes continentes, inclusive o Brasil, vítimas da guerra civil e, também, da violência e atrocidades praticadas pelo grupo terrorista“Estado Islâmico” (EI) em seu país.
O Estado Islâmico foi criado, em 2013, de uma ramificação da organização terrorista al-Qaeda (fundada por Osama Bin Laden, morto em 2011), da qual desmembrou-se e passou a atuar de acordo com os seus próprios princípios. Ele é considerado o grupo terrorista mais radical e violento da atualidade (até mais que a própria Al-Qaeda).
A Síria, nome oficial República Árabe da Síria, está localizada naÁsia, mais especificamente, no Oriente Médio.
Imagem capturada na Internet e modificada
com marcação na Síria
Fonte: Ayuda a la Iglesia que Sufre
Para entender a origem da guerra civil por qual o país enfrenta e que responde pela crise migratória devemos voltar ao tempo...
O presidente Bashar al-Assad, que está no poder há 15 anos, desde julho de 2000, prometeu mudanças no país e, ainda, ressaltou que seria diferente do seu pai, Hafez Assad, que governou a Síria por 29 anos (1971-2000) sob um regime também autoritário. Mas, apesar dele ter-se mostrado mais aberto e a favor da democracia, este - com o passar do tempo - acabou se revelando mais um Chefe de Estado autoritário, submetendo a população civil à total falta de liberdade e outras políticas estratégicas, severas, de total controle sobre o país e o seu povo.
Inicialmente, as manifestações populares na Síria ocorreram de forma pacífica, no entanto, com o aumento da repressão das tropas do governo, a violência aumentou igualmente dos ambos, os lados e, com isso, os manifestantes recorreram à luta armada, dando início, assim, à guerra civil no país, em 2012, quando a ONU reconheceu a gravidade do conflito interno como tal.
Um dos pontos mais críticos da guerra civil foi o ataque com arma química letal, o sarin, por parte do governo de Bashar al-Assad, no dia 21 de agosto de 2013, que resultou na morte de mais de 1.400 pessoas. O ataque químico foi confirmado depois da análise de amostras de sangue das vítimas e a constatação que 85% delas tiveram resultado positivo para o gás sarin.
Corpos das vítimas pelo ataque químico na Síria.
Imagem capturada na Internet (Fonte: Último Segundo)
Embora, as mídias destaquem a chegada de muitos refugiados no continente europeu, os países que mais receberam os fluxos migratórios de sírios foram, justamente, aqueles que estão mais próximos da Síria, ou seja, aqueles que fazem fronteira com o país, como a Turquia (ao norte), a Jordânia (ao sul), o Líbano (a oeste) e o Iraque (a leste).
Diferentemente das expectativas de obter refúgio em um país da União Europeia, muitos que se encontram nestes países asiáticos, fronteiriços, estão passando muitas dificuldades.
No Líbano, por exemplo, 70% das famílias de refugiados vivemabaixo da linha da pobreza (vivendo com menos de US$ 1 por dia). Na Jordânia, a situação não difere, pois dos 629.266 sírios que vivem no país – 520 mil deles fora dos campos de refugiados – 86% em áreas urbanas e rurais se encontram, também, vivendo abaixo da linha da pobreza.
Por isso, segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), a maioria dos refugiados se encontra endividada, sendo obrigada a praticar a mendicância (pedir esmolas), a retirar os filhos das escolas e, até mesmo, reduzir o consumo de alimentos. Esta situação se agravou com o corte de financiamento dos programas de ajuda humanitária (corte de verbas).
Os países do Golfo (Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes, Catar, Bahrein e Omã), por sua vez, preferiram doar dinheiro ao invés de abrir suas fronteiras e abrigar os refugiados sírios. Esses países, além de temerem pela segurança e estabilidade de seus territórios, não reconhecem a condição de refugiados, eles não assinaram a Convenção de Refugiados de 1951 ou Estatuto dos Refugiados, que foi elaborado durante a Conferência de Plenipotenciários das Nações Unidas, em Genebra (Suíça), em julho de 1951 e que entrou em vigor em 22 de abril de 1954.
Os países do Golfo (Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes, Catar, Bahrein e Omã), por sua vez, preferiram doar dinheiro ao invés de abrir suas fronteiras e abrigar os refugiados sírios. Esses países, além de temerem pela segurança e estabilidade de seus territórios, não reconhecem a condição de refugiados, eles não assinaram a Convenção de Refugiados de 1951 ou Estatuto dos Refugiados, que foi elaborado durante a Conferência de Plenipotenciários das Nações Unidas, em Genebra (Suíça), em julho de 1951 e que entrou em vigor em 22 de abril de 1954.
A referida Convenção consolida instrumentos legais, internacionais, de reconhecimento e proteção aos refugiados, instituindo os direitos dos mesmos a nível mundial, desde os padrões básicos para o tratamento dos mesmos a ser seguido pelos Estados (sem impor limites), assim como outros procedimentos que implicam na não discriminação por raça, religião, sexo e país de origem.
Entre suas cláusulas principais, tem-se a definição do termo “refugiado” e o chamado Princípio de “non-refoulement”(“não-devolução”), que institui que nenhum país deve expulsar ou “devolver” um refugiado, contra a vontade do mesmo, em qualquer período, para um território onde ele sofra perseguição e, com isso, a sua vida e liberdade corram perigo. Além destes, a mesma determina que providências devem ser tomadas para a disponibilização de documentos aos refugiados, incluindo documentos de viagem específicos, na forma de passaporte.
Entre suas cláusulas principais, tem-se a definição do termo “refugiado” e o chamado Princípio de “non-refoulement”(“não-devolução”), que institui que nenhum país deve expulsar ou “devolver” um refugiado, contra a vontade do mesmo, em qualquer período, para um território onde ele sofra perseguição e, com isso, a sua vida e liberdade corram perigo. Além destes, a mesma determina que providências devem ser tomadas para a disponibilização de documentos aos refugiados, incluindo documentos de viagem específicos, na forma de passaporte.
Para os fins da referida Convenção, o termo “refugiado” é aplicado à pessoa que:
“temendo ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a grupo social ou opiniões políticas, se encontra fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou, em virtude desse temor, não quer valer-se da proteção desse país, ou que, se não tem nacionalidade e se encontra fora do país no qual tinha a sua residência habitual em consequência de tais acontecimentos, não pode ou, devido ao referido temor, não quer voltar a ele.” (Manual de Procedimentos e Critérios para a Determinação da Condição de Refugiado, ACNUR, 2011: pag.11)
“temendo ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a grupo social ou opiniões políticas, se encontra fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou, em virtude desse temor, não quer valer-se da proteção desse país, ou que, se não tem nacionalidade e se encontra fora do país no qual tinha a sua residência habitual em consequência de tais acontecimentos, não pode ou, devido ao referido temor, não quer voltar a ele.” (Manual de Procedimentos e Critérios para a Determinação da Condição de Refugiado, ACNUR, 2011: pag.11)
O destaque midiático sobre os refugiados sírios no continente europeu, inclusive correlacionando-os como “crise humanitária na Europa” justifica-se - entre outros - pelos seguintes aspectos:
- As duas rotas principais que os sírios utilizam para entrar no continente europeu são por terra ou por mar, melhor dizendo, muitos preferem cruzar a Turquia por terra até chegar à Grécia e depois prosseguir até ao seu destino final ou partir para a Líbia, no Norte da África e, de lá, atravessar o Mar Mediterrâneo para desembarcar na Itália.
- A rota principal deles, o Mar Mediterrâneo (porção oriental), são expressivas as incidências de embarcações precárias, superlotadas de famílias sírias, com muitas crianças e jovens, tendo diversos registros de naufrágios e vítimas fatais (mortes).
Muitas das imagens publicadas nas mídias são fortes e impactantes, como estas - abaixo - que comoveram o mundo todo;
Muitas das imagens publicadas nas mídias são fortes e impactantes, como estas - abaixo - que comoveram o mundo todo;
Refugiado sírio, chorando, com seus filhos
ao chegar na ilha Kos, na Grécia
Imagem capturada na Internet (Fonte: UOL Notícias)
ao chegar na ilha Kos, na Grécia
Imagem capturada na Internet (Fonte: UOL Notícias)
O menino Alyan Kurdi, 3 anos, morto em uma praia na Turquia. Sua mãe e seu irmão (5 anos),
também, morreram afogados, só o pai sobreviveu
também, morreram afogados, só o pai sobreviveu
Imagem capturada na Internet (Fonte: G1 Mundo)
- A políticas de fechamento de fronteiras por parte de determinados governos europeus aos refugiados sírios, os quais temem pela segurança e estabilidade do seu país ou, ainda, outros por apresentar uma economia mais vulnerável em face da crise da Zona do Euro.
A Hungria, por exemplo, fechou as fronteiras com cercas para impedir a entrada dos mesmos, enviando, inclusive, soldados a fim de garantir a ordem e a segurança.
Imagem capturada na Internet (Fonte: Revista Exame)
A Grécia, diante de sua situação econômica frágil, pediu ajuda emergencial à União Europeia para acolher os refugiados. Por sua localização geográfica estratégica é um dos países de entrada à Europa, de maior acesso dos refugiados, à partir da rota pela Turquia;
- As altas expectativas para o refúgio em território europeu devido o nível de desenvolvimento dos países, mesmo estando a União Europeia mergulhada em uma crise econômica e financeira (sobretudo, a chamada Zona do Euro). Como a maioria dos refugiados tem nível de escolaridade básico e médio, estes podemsuprir a falta de mão de obra no mercado de trabalho em muitos países, alavancando a economia dos mesmos, como é o caso daAlemanha e do Reino Unido.
Na verdade, estas mediações consistem em um jogo de interesses políticos e econômicos. O próprio governo da Alemanha, país que está mais aberto a acolher os sírios, deixou de acatar a chamada “Regulação de Dublin” (Lei da União Europeia), que determina que o refugiado deve requisitar asilo político no primeiro país da União Europeia ao qual entrou ao chegar no continente, em agosto deste ano, abriu uma exceção quanto a isso, permitindo que os refugiados se registrassem direto em seu país, independente de outras nações que os mesmos já tivessem entrado antes.
Embora, a Alemanha tenha um histórico de movimentos nacionalistas, xenófobos, de atuação de grupos neonazistassimpatizantes à imagem e às ideias de Adolf Hitler e, com isso, deaversão e violência aos imigrantes (estrangeiros), o país tem muito a ganhar com a vinda dos refugiados sírios mediante não só à crise econômica mundial, mas também em termos de seusindicadores sociais, como a baixa taxa de natalidade e aexpectativa de vida elevada de sua população.
Melhor dizendo, o Estado se mostra preocupado com os rumos do país tanto em termos da economia em face da crise mundial quanto pelo fato de haver um menor número de jovens para o mercado de trabalho (População Economicamente Ativa - PEA), enquanto se verifica um aumento da população idosa e pensionista, o que representa um comprometimento ao sistema de Previdência Social do país.
Com a abertura de suas fronteiras e abrigo aos refugiados sírios, aAlemanha só tem a se beneficiar economicamente. Com esta política de acolhimento, o país acabou se tornando o destino mais procurado pelos imigrantes que chegam ao continente, tornando o país europeu com o maior número de pedidos de asilo.
Só neste ano (2015) até o final do mês de julho, foram mais de 188 mil pedidos de asilo (15.416 a mais do ano de 2014).
Refugiado com a imagem da Chanceler alemã,
Angela Merkel, deixando Budapeste (Hungria).
Angela Merkel, deixando Budapeste (Hungria).
Imagem capturada na Internet (Fonte: UOL Notícias)
Contudo, na opinião de muitos, as respostas concretas dos governos sobre o drama dos refugiados sírios ainda se mostrammuito incipientes em face de sua extensão, que vai além dodeslocamento físico, internacional, remetendo a violações dos direitos humanos tanto no contexto da situação de sua terra natal (guerra civil e atuação do grupo terrorista Estado Islâmico) quanto na travessia - via terra e/ou mar - a outro país e, em muitos casos, no âmbito do próprio território a qual foi acolhido como refugiado
Devemos refletir não só pela questão socioeconômica como também a psicológica por meio das perdas materiais (abandono de seus lares, perda do emprego, mudanças drásticas do padrão de vida, fugindo somente com a roupa do corpo) e, sobretudo, as perdas humanas (mortes de familiares tanto em consequência dos conflitos internos quanto pela travessia arriscada até à Europa).
Os problemas não acabam com o registro e acolhimento em um país estrangeiro, pois além de ter que se adaptar e reconstruir a vida ànova realidade política, econômica, social e cultural, estes passam por muitas dificuldades, antes nem imagináveis (abrigos provisórios e precários, material de consumo insuficiente, roupas, alimentos, entre outros recursos necessários para assegurar condições razoáveis de sobrevivência).
Talvez o medo de muitos países, diante do grande fluxo migratório da população síria, seja o grande empecilho a um comprometimento maior dos mesmos às suas causas. Na verdade, espera-se que o conflito na Síria, embora de difícil mediação até hoje, tenha um fim satisfatório, possibilitando que as famílias sírias retornem e retomem as suas vidas em sua terra natal.
O vice-chanceler alemão Sigmar Gabriel e o ex-chanceler britânico David Miliband, em artigo publicado no DW (clique nolink para ler o artigo na íntegra) afirmam que a adesão dos governos da União Europeia e de outros continentes, neste momento, torna-se imprescindível na amenização da realidade crítica dos refugiados sírios.
“Nenhum país pode resolver sozinho uma crise desta magnitude. Mesmo a Europa não pode fazer isso, com a melhor boa vontade do mundo. Uma crise global requer uma resposta global. Mas a Europa vai se tornar muito mais capaz de convencer os Estados Unidos, os Estados do Golfo e outros governos – que ainda não se comprometeram com o problema – a também contribuírem, se adaptar suas próprias ações à dimensão do problema”.
Mesmo com toda a distância geográfica, o governo brasileiro vem facilitando e mantendo uma política de concessão aos refugiados sírios, a partir de uma Resolução, em 2013. Esta política fez com que o Brasil se destacasse, em termos de solidariedade e acolhimento, no contexto da atual crise humanitária internacional.
De acordo com os dados do Comitê Nacional para os Refugiados(Conare), órgão ligado ao Ministério da Justiça, o número de refugiados sírios que o Brasil acolheu é maior que o número dos EUA, de outros países da América Latina e de muitos docontinente europeu.
Só para se ter uma ideia, entre os muitos povos que receberam statusde refugiados em nosso país, a população síria é a maior, seguida pela angolana, colombiana e congolesa. No período de2011 até agosto de 2015, o governo brasileiro atendeu pedidos de2.077 sírios.
No continente americano, ele só perde para o Canadá que, no período de janeiro de 2014 a janeiro de 2015, recebeu 2.374 refugiados.
No entanto, assim como nos demais países, as famílias sírias refugiadas têm encontrado dificuldades em reconstruir suas vidas, em nosso país, em razão – sobretudo - da falta de emprego e de uma moradia definitiva. Não esquecendo que o país, também, está passando por momentos difíceis diante da crise econômica mundial.
Para piorar, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Agência da ONU, que fornece abrigo, água potável, saneamento e assistência médica aos refugiados, necessitam da ajuda da população civil e/ou entidades privadas através de doações a fim de assegurar o atendimento aos mesmos.
Como era de se esperar, ao mesmo tempo em que os partidos anti-imigração avançam, sentimentos nacionalistas e xenófobos(aversão ao imigrante) tem ressurgido em vários países da Europa, configurando-se mais um problema a ser enfrentado pelos refugiados, como vítimas em potencial e, as autoridades locais, com vistas a impedir a violência.
É preciso fazer mais! Muito mais...
Mesmo com toda a distância geográfica, o governo brasileiro vem facilitando e mantendo uma política de concessão aos refugiados sírios, a partir de uma Resolução, em 2013. Esta política fez com que o Brasil se destacasse, em termos de solidariedade e acolhimento, no contexto da atual crise humanitária internacional.
De acordo com os dados do Comitê Nacional para os Refugiados(Conare), órgão ligado ao Ministério da Justiça, o número de refugiados sírios que o Brasil acolheu é maior que o número dos EUA, de outros países da América Latina e de muitos docontinente europeu.
Só para se ter uma ideia, entre os muitos povos que receberam statusde refugiados em nosso país, a população síria é a maior, seguida pela angolana, colombiana e congolesa. No período de2011 até agosto de 2015, o governo brasileiro atendeu pedidos de2.077 sírios.
No entanto, assim como nos demais países, as famílias sírias refugiadas têm encontrado dificuldades em reconstruir suas vidas, em nosso país, em razão – sobretudo - da falta de emprego e de uma moradia definitiva. Não esquecendo que o país, também, está passando por momentos difíceis diante da crise econômica mundial.
Para piorar, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Agência da ONU, que fornece abrigo, água potável, saneamento e assistência médica aos refugiados, necessitam da ajuda da população civil e/ou entidades privadas através de doações a fim de assegurar o atendimento aos mesmos.
Como era de se esperar, ao mesmo tempo em que os partidos anti-imigração avançam, sentimentos nacionalistas e xenófobos(aversão ao imigrante) tem ressurgido em vários países da Europa, configurando-se mais um problema a ser enfrentado pelos refugiados, como vítimas em potencial e, as autoridades locais, com vistas a impedir a violência.
“Mas além de abrir suas portas, se faz importante que o país implemente uma política de acolhimento e atenção às necessidades específicas dos refugiados, pautada pela reintegração. É preciso garantir que estas pessoas explorem ou continuem a explorar seus potenciais como seres humanos, enriquecendo a cultura local e contribuindo para o desenvolvimento nacional. (...) isolar, excluir e ignorar minorias apenas presta um desserviço à população, fomenta intolerâncias, preconceitos, discriminação e violência, minando mesmo a segurança pública”. (Adus - Instituto de Reintegração do Refugiado).
Fontes de Consulta
. CUKIER, Heni Ozi. O Dilema dos Refugiados na Europa - Revista Exame
. Estado Islâmico: Grupo Terrorista – História do Mundo
. Hostilidade contra migrantes e estrangeiros cresce na Europa – Revista Exame
. Hungria inicia construção de quarta cerca contra imigrantes, diz TV oficial – G1
. Jornal O Globo (impresso - várias edições)
. O que é a Convenção de 1951? ACNUR
. Opinião: Europa tem que fazer mais pelos refugiados - DW –Made for Minds
. Para os refugiados, as dificuldades não acabam após a travessia de fronteiras – nem se encerram os sofrimentos e lutas - Adus -Instituto de Reintegração do Refugiado.
. Político corta cerca anti-imigrantes na Hungria em protesto –Revista Exame
. Por que os refugiados querem ir à Alemanha? BBC Brasil
terça-feira, 11 de agosto de 2015
AS REVOLUÇÕES TECNOLÓGICAS NO CAMPO
Revoluções
agrícola e verde e transgênicos
A evolução da capacidade de
produção, nos últimos 50 anos, foi em média superior ao crescimento da
população mundial. Apesar disso, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas
para a Agricultura e a Alimentação), neste início de milênio, 852 milhões de
pessoas viviam em estado de fome crônica ou de subnutrição, sendo que 815
milhões nos países subdesenvolvidos .
O espaço rural de vários países se
modernizou. A mecanização agrícola, o uso da biotecnologia, de sistemas de
estocagem e escoamento da produção tornaram a agropecuária mais produtiva e
competitiva. Os investimentos e o controle da produção agrícola por grandes
empresas disseminou a utilização de produtos apropriados à correção do solo, de
adubos químicos, de agrotóxicos, de rações, de sementes geneticamente
modificadas, etc. Por outro lado, diversas regiões do mundo vivem as tragédias
da subnutrição e da fome.
O Brasil em seu imenso território vive essa mesma
contradição. Coloca-se entre os dez maiores exportadores agrícolas mundiais,
desenvolve uma agricultura moderna e de elevada competitividade, possui o maior
rebanho bovino comercial do mundo, ao mesmo tempo em que uma parte expressiva
da população rural vive em condições miseráveis.
A revolução agrícola
O primeiro grande avanço
tecnológico nas atividades agropecuárias ocorreu dentro do mesmo processo da
Revolução Industrial , no século 18. Os países que se industrializaram nesse
período modernizaram os seus sistemas de cultivo, elevaram a produção e a
produtividade - produzir mais com menos terra e mão de obra -- introduziram
novas técnicas com o desenvolvimento de instrumentos agrícolas.
A migração para as cidades, nesse
período, também diminuiu o número de pessoas envolvidas nas atividades
agrícolas. Dessa forma, a Revolução Industrial e a intensa urbanização gerada por ela exigiram uma Revolução
Agrícola, capaz de ampliar o fornecimento de matérias-primas à indústria e a
produção de alimentos necessária ao abastecimento de uma população que se
urbanizava.
A Revolução Verde
A partir da segunda metade do
século 20, os países desenvolvidos criaram uma estratégia de elevação da
produção agrícola mundial por meio da introdução de técnicas mais apropriadas
de cultivo, mecanização, uso de fertilizantes, defensivos agrícolas e a
utilização de sementes modificadas em substituição às sementes tradicionais,
menos resistentes aos defensivos agrícolas. Concebido nos Estados Unidos , esse
processo ficou conhecido como Revolução Verde. Sua principal bandeira era
combater a fome e a miséria dos países mais pobres, por meio da introdução
de técnicas mais modernas de cultivo.
Ao mesmo tempo em que modernizou a
agricultura em alguns países subdesenvolvidos, a Revolução Verde elevou a
dependência em relação aos países mais ricos que detinham a tecnologia
indispensável ao cultivo das novas sementes e forneciam os insumos necessários
para viabilizar a produção.
A elevação da produtividade diminuiu o preço de diversos
produtos para o consumidor, mas o custo dos insumos (bem
ou serviço utilizado na produção) aumentou numa escala muito maior. A produção
de determinados gêneros contemplados pela Revolução Verde era viável quando
realizada em grande escala, em grandes propriedades agrícolas.
Dessa forma, muitos pequenos
proprietários ligados à agricultura comercial ficaram incapacitados de
incorporar essas novas tecnologias, abandonaram suas atividades e venderam as
suas propriedades, com impacto desastroso na estrutura fundiária de diversos
países, entre eles o Brasil. Quanto à erradicação da fome, a principal
promessa da Revolução Verde, os próprios dados da ONU mostram os resultados
insuficientes.
A Revolução Transgênica
Os transgênicos são espécies cuja constituição genética foi
alterada artificialmente e convertida a uma forma que não existe na natureza. É um ser vivo que recebeu um gene
de outra espécie animal ou vegetal. O gene inserido pode vir de outra planta ou
mesmo de outra espécie completamente diferente. No caso das plantas a
modificação é feita visando um organismo com características diferentes das
suas, como por exemplo tornar uma planta mais resistente a pragas e insetos. A
planta resultante dessa inserção passa a ser denominada como "geneticamente
modificada"
A partir de 1953, com a descoberta
da estrutura das moléculas do DNA, a biotecnologia provocou uma nova revolução
na agricultura. Com isso o homem viu a possibilidade de manipular, trocar de
lugar as letras do código genético e já na década de 70, descobriu-se como unir
fragmentos de diferentes espécies.
Através de técnicas utilizadas para
alteração de genes em diferentes organismos, com a fusão de genes de espécies
diferentes que jamais se cruzariam na natureza, foram criadas diversas
variedades transgênicas ou OGMs (Organismos Geneticamente Modificados).
Pouco mais de dez anos depois, as
primeiras plantas transgênicas passaram a ser produzidas comercialmente e com
isso a biotecnologia ganhou cada vez mais destaque no cenário científico e
tecnológico, com a promessa de uma agricultura mais produtiva e menos
dependente do uso de agrotóxicos. E com essa promessa vieram também as dúvidas
sobre os efeitos secundários dos transgênicos e as conseqüências que podem
provocar na saúde e no ambiente.
É uma discussão que envolve
oposições econômicas, sociais e ambientais. De um lado estão os defensores
da biotecnologia, que defendem o aumento da produção de alimentos a
partir da redução de custos a ponto de atacar o problema da fome mundial.
De outro lado, estão aqueles que argumentam sobre o impacto ainda
desconhecido dos transgênicos sobre a saúde e o meio ambiente.
As principais variedades
transgênicas da grande agricultura como soja, milho, algodão, canela, mandioca,
tabaco, arroz, tomate e trigo são controladas atualmente por poucas empresas
multinacionais como a Novartis, a Monsanto, a Du Pont, a AstraZeneca e a
Aventis.
Como as sementes transgênicas,
diferentemente das sementes tradicionais, nunca são geradas pela própria planta
e, portanto, têm que ser adquiridas a cada novo plantio, teme-se que tais
corporações assumam o controle da produção das sementes transgênicas e isso
resulte no controle do mercado mundial de alimentos, apesar da vasta produção
de produtos orgânicos.
Talvez o mundo não esteja ainda totalmente preparado para os
grandes avanços da era da moderna biotecnologia ou tecnologia do DNA recombinante.
A chegada da genética como a nova matéria prima da economia, provavelmente irá
causar grandes modificações na história da humanidade.
FAO – Agricultura Mundial até 2030 – principais pontos
Este sumário do relatório da FAO é
uma pequena versão dos resultados do estudo técnico feito pela entidade:
“Agricultura Mundial: dirigindo a 2015/2030”
Segundo um informe realizado pela Organização
das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), a população mundial
crescerá de cerca de 7 bilhões de pessoas de hoje para 8,3 bilhões de pessoas
em 2030. O crescimento populacional ocorrerá em uma taxa média de 1,1% por ano
até 2030, o que denota um ritmo mais lento quando comparado com o crescimento
anual dos últimos 30 anos, que foi de 1,7%. Como resultado disso, o crescimento
mundial na demanda por produtos agrícolas deverá ser mais lento nos próximos
anos, passando de uma média de 2,2% por ano nos últimos 30 anos para 1,5% por
ano até 2030. Nos países em desenvolvimento, essa redução no crescimento da
demanda será mais dramática, passando dos 3,7% dos últimos 30 anos para uma
média de 2% até 2030.
No entanto, os países em desenvolvimento
com níveis de consumos baixos a médios, que representam cerca da metade da
população dos países em desenvolvimento, terão um lento decréscimo no
crescimento da demanda por alimentos que passará de 2,9% para 2,5% por ano, e
um aumento do consumo per capita.
A população mundial passará a se
alimentar cada vez melhor até 2030, com 3050 quilocalorias disponíveis por
pessoa, comparado com as 2360 quilocalorias disponíveis por pessoa por dia na
década de sessenta e com as 2800 disponíveis hoje. Esta mudança reflete,
sobretudo, o aumento do consumo em muitos países em desenvolvimento, onde a
média ficará em torno de 3000 quilocalorias em 2030.
O número de pessoas passando fome
nos países em desenvolvimento deverá declinar de 777 milhões de hoje para cerca
de 440 milhões em 2030. Isto significa que a meta traçada pela Cúpula Mundial
de Alimentação de 1996, de reduzir o número de pessoas que passam fome pela
metade do nível de 1990-92 (815 milhões) até 2015, não será cumprida nem até
2030. A região do deserto do Saara na África é causa de sérias
preocupações, porque o número de pessoas cronicamente subnutridas deverá
decrescer somente de 194 para 183 milhões.
Os padrões de consumo de alimentos
estão se tornando mais similares através do mundo, deslocando-se em direção a
alimentos de maior qualidade e mais caros, como produtos derivados de carne e
leite. O consumo de carne nos países em desenvolvimento, por exemplo, aumentou
de apenas 10 quilos por pessoa por ano em 1964-66 para 26 quilos em 1997-99. A
projeção é que este consumo aumente para 37 quilos per capita por ano até 2030.
O leite e os produtos lácteos também têm visto um rápido crescimento, com o
consumo per capita passando de 28 quilos por ano em 1964-66 para 45 quilos
atualmente, e deverá aumentar para 66 quilos até 2030. A FAO espera que o
aumento no consumo de carne e lácteos seja menos dramático do que o ocorrido no
passado.
Os cereais ainda são, de longe, a mais importante fonte de
alimentos do mundo, tanto para consumo humano direto, como para produção de
carne. Serão
necessários bilhões de toneladas extras de cereais até 2030.
Os países em desenvolvimento se tornarão cada vez mais
dependentes das importações de cereais, carnes e leite, uma vez que sua
produção não acompanhará o ritmo da demanda. Até 2030, eles poderão estar produzindo somente 86% de
suas necessidades de cereais, com as importações líquidas aumentando dos atuais
103 milhões de toneladas para 265 milhões de toneladas até 2030.
Os tradicionais exportadores de grãos, como os Estados Unidos,
a União Européia, o Canadá, a Austrália e a Argentina, e os países em transição
que estão emergindo como exportadores, deverão produzir o excesso necessário
para preencher a lacuna dos países em desenvolvimento. “Se os preços reais dos alimentos
não aumentarem, e as exportações dos produtos e serviços das indústrias
aumentarem como anteriormente, então a maioria dos países terá recursos para
importar cereais para suprir suas necessidades. Entretanto, os países mais
pobres tendem a ser menos hábeis para pagar pelas importações”, informou o
documento da FAO.
O uso de cereais na nutrição dos
animais não contribui com a fome e a desnutrição. Globalmente, cerca de 660
milhões de toneladas de cereais são utilizadas na alimentação dos animais a
cada ano. Isto representa um terço do total utilizado mundialmente. Se
estes cereais não fossem utilizados como alimentos dos animais, eles
provavelmente não seriam produzidos, de forma que não estariam disponíveis para
consumo humano em muitos casos, de acordo com o relatório. O que é mais provável é que a ausência da
demanda por cereais para a produção animal levasse a uma menor produção destes
cereais.
Assinar:
Postagens (Atom)
-
COMO CALCULAR FUSOS HORÁRIOS 1. Cada fuso é uma faixa de 15° de largura que vai de um pólo até outro. 2. Os fusos horários existem devido a...
-
O Rio de Janeiro confirmou, nesta quinta-feira, o primeiro caso de Covid-19 , em Barra Mansa, no Sul Fluminense. A paciente, de 27 anos, t...









