sexta-feira, 8 de março de 2019

MATERIAL DE APOIO - EUROPA


EUROPA – ASPECTOS GERAIS e o PIONEIRISMO INGLÊS
A Europa é marcada por uma grande densidade de territórios independentes, fruto das relações históricas de disputas pelo poder.

A Europa é o segundo menor continente em superfície do mundo, cobrindo cerca de 10 180 000 km² ou 2% da superfície da Terra e cerca de 6,8% da área acima do nível do mar. Dos cerca de 50 países da Europa, a Rússia é o maior tanto em área quanto em população (sendo que a Rússia se estende por dois continentes, a Europa e a Ásia) e o Vaticano é o menor.

A Europa é o quarto continente mais populoso do mundo, após a Ásia, a África e a(s) América(s), com 731 milhões de habitantes, cerca de 11% da população mundial. No entanto, de acordo com a Organização das Nações Unidas (estimativa média), o peso europeu pode cair para cerca de 7% em 2050. Em 1900, a população europeia representava 25% da população mundial. As fronteiras para a Europa, um conceito que remonta à Antiguidade clássica, são um tanto arbitrárias, visto que o termo "Europa" pode referir-se a uma distinção cultural e política ou geográfica.

O continente europeu não possui características homogêneas, pois as disparidades se apresentam em diversos aspectos como paisagens naturais, clima, política e cultura. O continente possui várias maneiras de ser regionalizado, uma delas é classificando em Europa Ocidental e Oriental.

A Europa é considerada o berço da “civilização” ocidental ou “Velho Mundo”, por ter desempenhado um papel preponderante na cena mundial a partir do século XVI, especialmente após o início do colonialismo. Entre os séculos XVI e XX, as nações europeias controlaram em vários momentos as Américas, a maior parte da África, a Oceania e grande parte da Ásia. Ambas as guerras mundiais foram em grande parte centradas na Europa, sendo considerado como o principal fator para um declínio do domínio da Europa Ocidental na política e economia mundial a partir de meados do século XX, com os Estados Unidos e a União Soviética ganhando maior protagonismo.

Durante a Guerra Fria, a Europa estava dividida ao longo da Cortina de Ferro entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte, a oeste, e o Pacto de Varsóvia, a leste. A vontade de evitar outra guerra acelerou o processo de integração europeia e levou à formação do Conselho Europeu e da União Europeia na Europa Ocidental, os quais, desde a queda do Muro de Berlim e do fim da União Soviética em 1991, têm vindo a expandir-se para o leste.

A regionalização antes e, principalmente, depois da Segunda Guerra Mundial gerou uma fronteira abstrata, isso significa o surgimento de uma barreira ideológica entre dois grupos de países que compõem o mesmo continente, de um lado os aliados dos Estados Unidos (capitalista) e do outro lado os que apoiam a União Soviética (socialista), consolidando de vez a Europa Ocidental e Oriental.
Com o declínio da URSS, e também do socialismo, surgiram diversas repúblicas autônomas que compunham o território soviético, no entanto, a independência não garantiu uma inserção eficaz na economia de mercado provenientes da herança do sistema produtivo da economia planificada que vigorava na URSS, que não conseguiu acompanhar as outras economias.

Sobre o pioneirismo inglês e sua problemática interna.

Antes da Revolução Industrial, a atividade produtiva era artesanal e manual, no máximo com o emprego de algumas máquinas simples. No artesanato um mesmo artesão cuidava de todo o processo, desde a obtenção da matéria-prima até à comercialização do produto final. Esses trabalhos eram realizados em oficinas nas casas dos próprios artesãos e os profissionais da época dominavam todas etapas do processo produtivo.

Com a Revolução Industrial os trabalhadores perderam o controle do processo produtivo, uma vez que passaram a trabalhar para um patrão (na qualidade de empregados ou operários), perdendo a posse da matéria-prima, do produto final e do lucro. O trabalho tornou-se, assim, alienado.

Foi a Inglaterra o país que saiu na frente no processo de Revolução Industrial do século XVIII. Este fato pode ser explicado por diversos fatores. A Inglaterra possuía grandes reservas de carvão mineral em seu subsolo, ou seja, a principal fonte de energia para movimentar as máquinas e as locomotivas à vapor. Além da fonte de energia, os ingleses possuíam grandes reservas de minério de ferro, a principal matéria-prima utilizada neste período. A mão de obra disponível em abundância (desde a Lei dos Cercamentos), também favoreceu a Inglaterra, pois havia uma massa de trabalhadores procurando emprego nas cidades inglesas do século XVIII.
A burguesia inglesa tinha capital suficiente para financiar as fábricas, comprar matéria-prima e máquinas e contratar empregados. O mercado consumidor inglês também pode ser destacado como importante fator que contribuiu para o pioneirismo inglês.

As fábricas do início da Revolução Industrial não apresentavam o melhor dos ambientes de trabalho. As condições das fábricas eram precárias. Eram ambientes com péssima iluminação, abafados e sujos. Os salários recebidos pelos trabalhadores eram muito baixos e chegava-se a empregar o trabalho infantil e feminino. Os empregados chegavam a trabalhar até 18 horas por dia e estavam sujeitos a castigos físicos dos patrões. Não havia direitos trabalhistas como, por exemplo, férias, décimo terceiro salário, auxílio doença, descanso semanal remunerado ou qualquer outro benefício. Quando desempregados, ficavam sem nenhum tipo de auxílio e passavam por situações de precariedade.
Em muitas regiões da Europa, os trabalhadores se organizaram para lutar por melhores condições de trabalho. Os empregados das fábricas fizeram greves, formaram os sindicatos com o objetivo de melhorar as condições de trabalho dos empregados. Houve também movimentos mais violentos como, por exemplo, o ludismo. Também conhecidos como "quebradores de máquinas", os ludistas invadiam fábricas e destruíam seus equipamentos numa forma de protesto e revolta com relação a vida dos empregados. O cartismo foi mais brando na forma de atuação, pois optou pela via política, conquistando diversos direitos políticos para os trabalhadores, como o direito a voto aos trabalhadores.
A Revolução tornou os métodos de produção mais eficientes. Os produtos passaram a ser produzidos mais rapidamente, barateando o preço e estimulando o consumo. Por outro lado, aumentou também o número de desempregados. As máquinas foram substituindo, aos poucos, a mão-de-obra humana. A poluição ambiental, o aumento da poluição sonora, o êxodo rural e o crescimento desordenado das cidades também foram consequências nocivas para a sociedade.
Na segunda metade do século XIX, países europeus como a Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica e Itália, eram considerados grandes potências industriais. Na América, eram os Estados Unidos quem apresentavam um grande desenvolvimento no campo industrial. Todos estes países exerceram atitudes imperialistas, pois estavam interessados em formar grandes impérios econômicos, levando suas áreas de influência para outros continentes.

Com o objetivo de aumentarem sua margem de lucro e também de conseguirem um custo consideravelmente baixo, estes países se dirigiram à África, Ásia e Oceania, dominando e explorando estes povos. Não muito diferente do colonialismo dos séculos XV e XVI, que utilizou como desculpa a divulgação do cristianismo; o neocolonialismo do século XIX usou o argumento de levar o progresso da ciência e da tecnologia ao mundo com base no *Darwinismo Social.

Na verdade, o que estes países realmente queriam era o reconhecimento industrial internacional, e, para isso, foram em busca de locais onde pudessem encontrar matérias primas e fontes de energia, bem como expandir seu mercado consumidor e adquirir mão de obra barata e até mesmo escrava. Os países escolhidos foram colonizados e seus povos desrespeitados. Um exemplo deste desrespeito foi o ponto culminante da dominação neocolonialista, quando países europeus dividiram entre si os territórios africano e asiático, sem sequer levar em conta as diferenças éticas e culturais destes povos.

Devido ao fato de possuírem os mesmo interesses, os colonizadores lutavam entre si para se sobressaírem comercialmente, e essa disputa, um pouco mais tarde, produziria a Primeira Grande Guerra Mundial. 


*O darwinismo social acredita na premissa da existência de sociedades superiores às outras, nessa condição, as que se sobressaem física e intelectualmente devem e acabam por se tornar as governantes. Por outro lado, as outras - menos aptas - deixariam de existir porque não eram capazes de acompanhar a linha evolutiva da sociedade.

domingo, 11 de novembro de 2018

DE QUEM É A CULPA?



Sobre os chamados “DESASTRES NATURAIS” em Niterói, que estampam as capas dos jornais de hoje, é preciso entender:
Na natureza não existe desastre, o que presenciamos são FENÔMENOS, não é preciso ser especialista no assunto para perceber que as ações humanas os potencializam. Enquanto os seres humanos continuarem a ocupar encostas de morro, remover matas ciliares, degradar áreas ambientalmente protegidas, etc. E o Poder Público permanecer na inércia, a natureza continuará cobrando o seu preço.
Mais um ano de vidas perdidas... os próximos DESASTRES SOCIAIS da mesma NATUREZA serão em 2019.
A vida segue, os FENÔMENOS NATURAIS também.  

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Defensores dos “direitos trabalhistas”, Bonner e Renata recebem como PJs para fugir da CLT

A defesa dos “direitos trabalhistas” foi uma das principais pautas abordadas por William Bonner e Renata Vasconcellos durante entrevista feita com o candidato à presidência Jair Bolsonaro no Jornal Nacional da última terça-feira (28). Entretanto, um levantamento feito pelo ILISPmostra que tanto Bonner quanto Renata possuem pessoas jurídicas (PJs) para receber o pagamento da Rede Globo, fugindo da CLT e dos “direitos trabalhistas” que tanto defendem.
Durante a entrevista, Bonner pressionou para descobrir “quais direitos trabalhistas os brasileiros deixarão de ter em um governo Bolsonaro” e defendeu a PEC das Domésticas como “responsável por dignificar a profissão de milhões de trabalhadores brasileiros, dando a eles direitos que até então não tinham”. Já Renata cobrou projetos trabalhistas para combater a farsa da “desigualdade salarial entre gêneros”. Os apresentadores, por outro lado, desfrutam da liberdade trabalhista proporcionada pelo uso de PJs há anos.
William Bonemer Junior (“William Bonner”) é sócio de duas empresas: “Tigris Producoes Artisticas Eireli” (CNPJ 57.186.074/0001-81) e “Jumacla Participacoes Ltda” (CNPJ 28.572.392/0001-82). A Tigris é uma empresa individual de responsabilidade limitada aberta no dia 19 de março de 1987, nove meses depois de Bonner ser contratado pela Rede Globo para trabalhar no SPTV, e possui como atividades principais os serviços de televisão aberta e jornalismo. Já a Jumacla foi aberta há menos de um ano (04 de setembro de 2017) para atuar nas atividades de aplicações financeiras e participação em empresas com capital social de R$ 14,6 milhões de reais, mas se encontra em processo de extinção. Bonner recebe R$ 800 mil mensais da Rede Globo.
Tigris, a PJ de Bonner, foi aberta há 31 anos. Fonte: Receita Federal
Já Renata Fernandes Vasconcellos possui uma pessoa jurídica aberta, a “Apress Divulgacao E Promocoes Ltda” (CNPJ 02.176.454/0001-43), cuja atividade principal é “artes cênicas, espetáculos e atividades complementares”. A Apress é uma sociedade simples limitada e foi aberta no dia 1° de agosto de 1997, quando Renata começou a apresentar o Jornal Hoje na Rede Globo. A mãe de Renata, Fernanda Saraiva Fernandes, é sócia minoritária da Apress. Renata recebe R$ 200 mil mensais da Rede Globo.
Apress, a PJ de Renata, foi aberta há 21 anos. Fonte: Receita Federal

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

A crise da dívida soberana europeia resultou de uma complexa combinação de fatores, tais como: a globalização dos mercados financeiros; facilidades nas condições de crédito no período 2002-2008 que encorajaram práticas com elevados riscos de crédito; a crise financeira global de 2007-2012; desequilíbrios no comércio internacional; o fim da bolha imobiliária; a recessão global de 2008-2012; políticas orçamentais resultando em défices crónicos; as soluções usadas pelos países para resgatar a banca e investidores provados em dificuldades, transferindo para a dívida pública o passivo dessas entidades.

A origem da crise da dívida pública tem raízes na crise financeira do final da década de 2000, quando a falência do Lehman Brothers em 2008 mergulhou o sistema financeiro global numa crise e abriu caminho para a maior crise económica desde a Grande Depressão.
Os governos de alguns estados lançaram, naquela altura, uma operação para salvar os bancos, envolvendo somas enormes de fundos públicos superiores a 20% do PIB mundial. Isto conseguiu travar o agravamento da situação e o consequente colapso dos mercados financeiros, mas não impediu o alastramento da crise à restante economia.
Esta intervenção deu lugar a uma nova fase da crise: a da dívida pública, que afeta em particular os grandes estados, como os Estados Unidos (com um terço do total mundial), a Europa e o Japão, acabando por ter uma especial incidência na União Europeia, e em particular nos Estados-membros periféricos.

domingo, 9 de abril de 2017

Comida típica do africano:



Legumes:
Batata doce
Quiabo
Melancia
Mandioca
Amendoins
Repolho
Amendoins


Carnes:
Frango
Carne de porco
Bife
Variedade de peixes locais

Plantas:
Alho
Pimenta Melegueta - "West Africa" (substituto de cardamomo)
Cravos-da-índia
Pimenta Preta
Cardamomo
Noz-Moscada
Curcuma
Arroz Mix
Caril em pó
Outras comidas típicas:
Limão
Arroz

terça-feira, 21 de março de 2017

Crise Humanitária Internacional: O Drama dos Refugiados Sírios


Imagem capturada na Internet para fins ilustrativo
Fonte: BBC Brasil

Não resta dúvida que o drama dos refugiados sírios é um fato grave - de grande impacto internacional - que não deve ser ignorado nem por conta de sua origem e nem por seus efeitos sobre milhões de famílias, as quais continuam migrando para diversos países, de diferentes continentes, inclusive o Brasil, vítimas da guerra civil e, também, da violência e atrocidades praticadas pelo grupo terrorista“Estado Islâmico” (EI) em seu país. 

Estado Islâmico foi criado, em 2013, de uma ramificação da organização terrorista al-Qaeda (fundada por Osama Bin Laden, morto em 2011), da qual desmembrou-se e passou a atuar de acordo com os seus próprios princípios. Ele é considerado o grupo terrorista mais radical e violento da atualidade (até mais que a própria Al-Qaeda). 

Síria, nome oficial República Árabe da Síria, está localizada naÁsia, mais especificamente, no Oriente Médio
 

 Imagem capturada na Internet e modificada

com marcação na Síria

Para entender a origem da guerra civil por qual o país enfrenta e que responde pela crise migratória devemos voltar ao tempo...   

Em março de 2011, a população síria, a exemplo de outros países do Norte da África e do Oriente Médio, iniciou um levante contra o governo ditatorial do seu presidente, Bashar Assad, movida pelo desencadeamento da Primavera Árabe (movimento de revoltas populares contra os governos ditatoriais, autoritários, iniciado na Tunísia, em 2011 e que se estendeu a outros países árabes).

presidente Bashar al-Assad, que está no poder há 15 anos, desde julho de 2000, prometeu mudanças no país e, ainda, ressaltou que seria diferente do seu pai, Hafez Assad, que governou a Síria por 29 anos (1971-2000) sob um regime também autoritário. Mas, apesar dele ter-se mostrado mais aberto e a favor da democracia, este - com o passar do tempo - acabou se revelando mais um Chefe de Estado autoritário, submetendo a população civil à total falta de liberdade e outras políticas estratégicas, severas, de total controle sobre o país e o seu povo.  
  Presidente da Síria - Bashar al-Assad
Imagem capturada na Internet
Fonte: Wikipédia

Inicialmente, as manifestações populares na Síria ocorreram de forma pacífica, no entanto, com o aumento da repressão das tropas do governo, a violência aumentou igualmente dos ambos, os lados e, com isso, os manifestantes recorreram à luta armada, dando início, assim, à guerra civil no país, em 2012, quando a ONU reconheceu a gravidade do conflito interno como tal. 
 
Um dos pontos mais críticos da guerra civil foi o ataque com arma química letal, o sarin, por parte do governo de  Bashar al-Assad, no dia 21 de agosto de 2013, que resultou na morte de mais de 1.400 pessoas. O ataque químico foi confirmado depois da análise de amostras de sangue das vítimas e a constatação que 85% delas tiveram resultado positivo para o gás sarin.

 Corpos das vítimas pelo ataque químico na Síria.
Imagem capturada na Internet (Fonte: Último Segundo) 

Embora, as mídias destaquem a chegada de muitos refugiados no continente europeu, os países que mais receberam os fluxos migratórios de sírios foram, justamente, aqueles que estão mais próximos da Síria, ou seja, aqueles que fazem fronteira com o país, como a Turquia (ao norte), Jordânia (ao sul), o Líbano (a oeste) e o Iraque (a leste).

De acordo com as informações publicadas no site BBC Brasil, entre estes, o que mais recebeu os refugiados sírios até 06 de setembro de 2015 foi a Turquia (1.938.999), seguido pelo Líbano (1.113.941), Jordânia (629.266) e Iraque (249.463), totalizando em 4.088.099 de registros de refugiados sírios.

Diferentemente das expectativas de obter refúgio em um país da União Europeia, muitos que se encontram nestes países asiáticos, fronteiriços, estão passando muitas dificuldades. 

No Líbano, por exemplo, 70% das famílias de refugiados vivemabaixo da linha da pobreza (vivendo com menos de US$ 1 por dia). Na Jordânia, a situação não difere, pois dos 629.266 sírios que vivem no país – 520 mil deles fora dos campos de refugiados – 86% em áreas urbanas e rurais se encontram, também, vivendo abaixo da linha da pobreza.
 
Por isso, segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), a maioria dos refugiados se encontra endividada, sendo obrigada a praticar a mendicância (pedir esmolas), a retirar os filhos das escolas e, até mesmo, reduzir o consumo de alimentos. Esta situação se agravou com o corte de financiamento dos programas de ajuda humanitária (corte de verbas).

Os países do Golfo (Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes, Catar, Bahrein e Omã), por sua vez, preferiram doar dinheiro ao invés de abrir suas fronteiras e abrigar os refugiados sírios. Esses países, além de temerem pela segurança e estabilidade de seus territórios, não reconhecem a condição de refugiados, eles não assinaram a Convenção de Refugiados de 1951 ou Estatuto dos Refugiados, que foi elaborado durante a Conferência de Plenipotenciários das Nações Unidas, em Genebra (Suíça), em julho de 1951 e que entrou em vigor em 22 de abril de 1954. 
 
A referida Convenção consolida instrumentos legais, internacionais, de reconhecimento e proteção aos refugiados, instituindo os direitos dos mesmos a nível mundial, desde os padrões básicos para o tratamento dos mesmos a ser seguido pelos Estados (sem impor limites), assim como outros procedimentos que implicam na não discriminação por raça, religião, sexo e país de origem. 

Entre suas cláusulas principais, tem-se a definição do termo “refugiado” e o chamado Princípio de “non-refoulement(“não-devolução”), que institui que nenhum país deve expulsar ou “devolver” um refugiado, contra a vontade do mesmo, em qualquer período, para um território onde ele sofra perseguição e, com isso, a sua vida e liberdade corram perigo. Além destes, a mesma determina que providências devem ser tomadas para a disponibilização de documentos aos refugiados, incluindo documentos de viagem específicos, na forma de passaporte. 
 
Para os fins da referida Convenção, o termo “refugiado” é aplicado à pessoa que:

temendo ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a grupo social ou opiniões políticas, se encontra fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou, em virtude desse temor, não quer valer-se da proteção desse país, ou que, se não tem nacionalidade e se encontra fora do país no qual tinha a sua residência habitual em consequência de tais acontecimentos, não pode ou, devido ao referido temor, não quer voltar a ele.” (Manual de Procedimentos e Critérios para a Determinação da Condição de Refugiado, ACNUR, 2011: pag.11)

O destaque midiático sobre os refugiados sírios no continente europeu, inclusive correlacionando-os como “crise humanitária na Europa” justifica-se - entre outros - pelos seguintes aspectos:
 
- As duas rotas principais que os sírios utilizam para entrar no continente europeu são por terra ou por mar, melhor dizendo, muitos preferem cruzar a Turquia por terra até chegar à Grécia e depois prosseguir até ao seu destino final ou partir para a Líbia, no Norte da África e, de lá, atravessar o Mar Mediterrâneo para desembarcar na Itália.

 

- A rota principal deles, o Mar Mediterrâneo (porção oriental), são expressivas as incidências de embarcações precárias, superlotadas de famílias sírias, com muitas crianças e jovens, tendo diversos registros de naufrágios e vítimas fatais (mortes).

Muitas das imagens publicadas nas mídias são fortes e impactantes, como estas - abaixo - que comoveram o mundo todo;
 
Refugiado sírio, chorando, com seus filhos 
ao chegar na ilha Kos, na Grécia
Imagem capturada na Internet (Fonte: UOL Notícias)
 
O menino Alyan Kurdi, 3 anos, morto em uma praia na Turquia. Sua mãe e seu irmão (5 anos),
 também, morreram afogados, só o pai sobreviveu 
Imagem capturada na Internet (Fonte: G1 Mundo)
 
 - A políticas de fechamento de fronteiras por parte de determinados governos europeus aos refugiados sírios, os quais temem pela segurança e estabilidade do seu país ou, ainda, outros por apresentar uma economia mais vulnerável em face da crise da Zona do Euro.
 
Hungria, por exemplo, fechou as fronteiras com cercas para impedir a entrada dos mesmos, enviando, inclusive, soldados a fim de garantir a ordem e a segurança. 

 
Cerca na fronteira da Hungria com a Sérvia
Imagem capturada na Internet (Fonte: Revista Exame)
 
Grécia, diante de sua situação econômica frágil, pediu ajuda emergencial à União Europeia para acolher os refugiados. Por sua localização geográfica estratégica é um dos países de entrada à Europa, de maior acesso dos refugiados, à partir da rota pela Turquia;

- As altas expectativas para o refúgio em território europeu devido o nível de desenvolvimento dos países, mesmo estando a União Europeia mergulhada em uma crise econômica e financeira (sobretudo, a chamada Zona do Euro). Como a maioria dos refugiados tem nível de escolaridade básico e médio, estes podemsuprir a falta de mão de obra no mercado de trabalho em muitos países, alavancando a economia dos mesmos, como é o caso daAlemanha e do Reino Unido.
 
Na verdade, estas mediações consistem em um jogo de interesses políticos e econômicos. O próprio governo da Alemanha, país que está mais aberto a acolher os sírios, deixou de acatar a chamada “Regulação de Dublin” (Lei da União Europeia), que determina que o refugiado deve requisitar asilo político no primeiro país da União Europeia ao qual entrou ao chegar no continente, em agosto deste ano, abriu uma exceção quanto a isso, permitindo que os refugiados se registrassem direto em seu país, independente de outras nações que os mesmos já tivessem entrado antes.
 
Imagem capturada na Internet (Fonte: BBC Brasil)
 
Embora, a Alemanha tenha um histórico de movimentos nacionalistasxenófobos, de atuação de grupos neonazistassimpatizantes à imagem e às ideias de Adolf Hitler e, com isso, deaversão e violência aos imigrantes (estrangeiros), o país tem muito a ganhar com a vinda dos refugiados sírios mediante não só à crise econômica mundial, mas também em termos de seusindicadores sociais, como a baixa taxa de natalidade e aexpectativa de vida elevada de sua população.
 
Melhor dizendo, o Estado se mostra preocupado com os rumos do país tanto em termos da economia em face da crise mundial quanto pelo fato de haver um menor número de jovens para o mercado de trabalho (População Economicamente Ativa - PEA), enquanto se verifica um aumento da população idosa e pensionista, o que representa um comprometimento ao sistema de Previdência Social do país.
 
Com a abertura de suas fronteiras e abrigo aos refugiados sírios, aAlemanha só tem a se beneficiar economicamente. Com esta política de acolhimento, o país acabou se tornando o destino mais procurado pelos imigrantes que chegam ao continente, tornando o país europeu com o maior número de pedidos de asilo. 
 
Só neste ano (2015) até o final do mês de julho, foram mais de 188 mil pedidos de asilo (15.416 a mais do ano de 2014).
 
Refugiado com a imagem da Chanceler alemã, 
Angela Merkel, deixando Budapeste (Hungria).  
Imagem capturada na Internet (Fonte: UOL Notícias)
  
Contudo, na opinião de muitos, as respostas concretas dos governos sobre o drama dos refugiados sírios ainda se mostrammuito incipientes em face de sua extensão, que vai além dodeslocamento físico, internacional, remetendo a violações dos direitos humanos tanto no contexto da situação de sua terra natal (guerra civil e atuação do grupo terrorista Estado Islâmico) quanto na travessia - via terra e/ou mar - a outro país e, em muitos casos, no âmbito do próprio território a qual foi acolhido como refugiado
 
Devemos refletir não só pela questão socioeconômica como também a psicológica por meio das perdas materiais (abandono de seus lares, perda do emprego, mudanças drásticas do padrão de vida, fugindo somente com a roupa do corpo) e, sobretudo, as perdas humanas (mortes de familiares tanto em consequência dos conflitos internos quanto pela travessia arriscada até à Europa).
 
Os problemas não acabam com o registro e acolhimento em um país estrangeiro, pois além de ter que se adaptar e reconstruir a vida ànova realidade política, econômica, social e cultural, estes passam por muitas dificuldades, antes nem imagináveis (abrigos provisórios e precários, material de consumo insuficiente, roupas, alimentos, entre outros recursos necessários para assegurar condições razoáveis de sobrevivência).
 
Talvez o medo de muitos países, diante do grande fluxo migratório da população síria, seja o grande empecilho a um comprometimento maior dos mesmos às suas causas. Na verdade, espera-se que o conflito na Síria, embora de difícil mediação até hoje, tenha um fim satisfatório, possibilitando que as famílias sírias retornem e retomem as suas vidas em sua terra natal.
 
vice-chanceler alemão Sigmar Gabriel e o ex-chanceler britânico David Miliband, em artigo publicado no DW (clique nolink para ler o artigo na íntegra) afirmam que a adesão dos governos da União Europeia e de outros continentes, neste momento, torna-se imprescindível na amenização da realidade crítica dos refugiados sírios.
 

Nenhum país pode resolver sozinho uma crise desta magnitude. Mesmo a Europa não pode fazer isso, com a melhor boa vontade do mundo. Uma crise global requer uma resposta global. Mas a Europa vai se tornar muito mais capaz de convencer os Estados Unidos, os Estados do Golfo e outros governos – que ainda não se comprometeram com o problema – a também contribuírem, se adaptar suas próprias ações à dimensão do problema”.

Mesmo com toda a distância geográfica, o governo brasileiro vem facilitando e mantendo uma política de concessão aos refugiados sírios, a partir de uma Resolução, em 2013. Esta política fez com que o Brasil se destacasse, em termos de solidariedade e acolhimento, no contexto da atual crise humanitária internacional. 

De acordo com os dados do Comitê Nacional para os Refugiados(Conare), órgão ligado ao Ministério da Justiça, o número de refugiados sírios que o Brasil acolheu é maior que o número dos EUA, de outros países da América Latina e de muitos docontinente europeu

Só para se ter uma ideia, entre os muitos povos que receberam statusde refugiados em nosso país, a população síria é a maior, seguida pela angolanacolombiana e congolesa. No período de2011 até agosto de 2015, o governo brasileiro atendeu pedidos de2.077 sírios

No continente americano, ele só perde para o Canadá que, no período de janeiro de 2014 a janeiro de 2015, recebeu 2.374 refugiados. 

No entanto, assim como nos demais países, as famílias sírias refugiadas têm encontrado dificuldades em reconstruir suas vidas, em nosso país, em razão – sobretudo - da falta de emprego e de uma moradia definitiva. Não esquecendo que o país, também, está passando por momentos difíceis diante da crise econômica mundial. 

Para piorar, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Agência da ONU, que fornece abrigo, água potável, saneamento e assistência médica aos refugiados, necessitam da ajuda da população civil e/ou entidades privadas através de doações a fim de assegurar o atendimento aos mesmos. 

Como era de se esperar, ao mesmo tempo em que os partidos anti-imigração avançam, sentimentos nacionalistas e xenófobos(aversão ao imigrante) tem ressurgido em vários países da Europa, configurando-se mais um problema a ser enfrentado pelos refugiados, como vítimas em potencial e, as autoridades locais, com vistas a impedir a violência.
 

É preciso fazer mais! Muito mais...
 
“Mas além de abrir suas portas, se faz importante que o país implemente uma política de acolhimento e atenção às necessidades específicas dos refugiados, pautada pela reintegração. É preciso garantir que estas pessoas explorem ou continuem a explorar seus potenciais como seres humanos, enriquecendo a cultura local e contribuindo para o desenvolvimento nacional. (...) isolar, excluir e ignorar minorias apenas presta um desserviço à população, fomenta intolerâncias, preconceitos, discriminação e violência, minando mesmo a segurança pública”.  (Adus - Instituto de Reintegração do Refugiado).
 
Fontes de Consulta
 
. CUKIER, Heni Ozi. O Dilema dos Refugiados na Europa - Revista Exame
 
. ELSAYED-ALI, Sherif. Abrir os Corações à Crise de Refugiados da Síria - Público
 
. Estado Islâmico: Grupo Terrorista – História do Mundo
 
. Hostilidade contra migrantes e estrangeiros cresce na Europa – Revista Exame
 
. Hungria inicia construção de quarta cerca contra imigrantes, diz TV oficial – G1
 
. Jornal O Globo (impresso - várias edições)
 
. O que é a Convenção de 1951? ACNUR
 
. Opinião: Europa tem que fazer mais pelos refugiados - DW –Made for Minds
 
. Para os refugiados, as dificuldades não acabam após a travessia de fronteiras – nem se encerram os sofrimentos e lutas - Adus -Instituto de Reintegração do Refugiado.
 
. Político corta cerca anti-imigrantes na Hungria em protesto –Revista Exame
 
Por que os refugiados querem ir à Alemanha? BBC Brasil

terça-feira, 11 de agosto de 2015

AS REVOLUÇÕES TECNOLÓGICAS NO CAMPO

Revoluções agrícola e verde e transgênicos

A evolução da capacidade de produção, nos últimos 50 anos, foi em média superior ao crescimento da população mundial. Apesar disso, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), neste início de milênio, 852 milhões de pessoas viviam em estado de fome crônica ou de subnutrição, sendo que 815 milhões nos países subdesenvolvidos .
O espaço rural de vários países se modernizou. A mecanização agrícola, o uso da biotecnologia, de sistemas de estocagem e escoamento da produção tornaram a agropecuária mais produtiva e competitiva. Os investimentos e o controle da produção agrícola por grandes empresas disseminou a utilização de produtos apropriados à correção do solo, de adubos químicos, de agrotóxicos, de rações, de sementes geneticamente modificadas, etc. Por outro lado, diversas regiões do mundo vivem as tragédias da subnutrição e da fome. 
O Brasil  em seu imenso território vive essa mesma contradição. Coloca-se entre os dez maiores exportadores agrícolas mundiais, desenvolve uma agricultura moderna e de elevada competitividade, possui o maior rebanho bovino comercial do mundo, ao mesmo tempo em que uma parte expressiva da população rural vive em condições miseráveis.

A revolução agrícola
O primeiro grande avanço tecnológico nas atividades agropecuárias ocorreu dentro do mesmo processo da Revolução Industrial , no século 18. Os países que se industrializaram nesse período modernizaram os seus sistemas de cultivo, elevaram a produção e a produtividade - produzir mais com menos terra e mão de obra -- introduziram novas técnicas com o desenvolvimento de instrumentos agrícolas.
A migração para as cidades, nesse período, também diminuiu o número de pessoas envolvidas nas atividades agrícolas. Dessa forma, a Revolução Industrial e a intensa urbanização  gerada por ela exigiram uma Revolução Agrícola, capaz de ampliar o fornecimento de matérias-primas à indústria e a produção de alimentos necessária ao abastecimento de uma população que se urbanizava.

A Revolução Verde
A partir da segunda metade do século 20, os países desenvolvidos criaram uma estratégia de elevação da produção agrícola mundial por meio da introdução de técnicas mais apropriadas de cultivo, mecanização, uso de fertilizantes, defensivos agrícolas e a utilização de sementes modificadas em substituição às sementes tradicionais, menos resistentes aos defensivos agrícolas. Concebido nos Estados Unidos , esse processo ficou conhecido como Revolução Verde. Sua principal bandeira era combater a fome e a miséria dos países mais pobres, por meio da introdução de técnicas mais modernas de cultivo.
Ao mesmo tempo em que modernizou a agricultura em alguns países subdesenvolvidos, a Revolução Verde elevou a dependência em relação aos países mais ricos que detinham a tecnologia indispensável ao cultivo das novas sementes e forneciam os insumos necessários para viabilizar a produção.
A elevação da produtividade diminuiu o preço de diversos produtos para o consumidor, mas o custo dos insumos (bem ou serviço utilizado na produção) aumentou numa escala muito maior. A produção de determinados gêneros contemplados pela Revolução Verde era viável quando realizada em grande escala, em grandes propriedades agrícolas.
Dessa forma, muitos pequenos proprietários ligados à agricultura comercial ficaram incapacitados de incorporar essas novas tecnologias, abandonaram suas atividades e venderam as suas propriedades, com impacto desastroso na estrutura fundiária de diversos países, entre eles o Brasil. Quanto à erradicação da fome, a principal promessa da Revolução Verde, os próprios dados da ONU mostram os resultados insuficientes.

A Revolução Transgênica
Os transgênicos são espécies cuja constituição genética foi alterada artificialmente e convertida a uma forma que não existe na natureza. É um ser vivo que recebeu um gene de outra espécie animal ou vegetal. O gene inserido pode vir de outra planta ou mesmo de outra espécie completamente diferente. No caso das plantas a modificação é feita visando um organismo com características diferentes das suas, como por exemplo tornar uma planta mais resistente a pragas e insetos. A planta resultante dessa inserção passa a ser denominada como "geneticamente modificada"
A partir de 1953, com a descoberta da estrutura das moléculas do DNA, a biotecnologia provocou uma nova revolução na agricultura. Com isso o homem viu a possibilidade de manipular, trocar de lugar as letras do código genético e já na década de 70, descobriu-se como unir fragmentos de diferentes espécies.
Através de técnicas utilizadas para alteração de genes em diferentes organismos, com a fusão de genes de espécies diferentes que jamais se cruzariam na natureza, foram criadas diversas variedades transgênicas ou OGMs (Organismos Geneticamente Modificados).
Pouco mais de dez anos depois, as primeiras plantas transgênicas passaram a ser produzidas comercialmente e com isso a biotecnologia ganhou cada vez mais destaque no cenário científico e tecnológico, com a promessa de uma agricultura mais produtiva e menos dependente do uso de agrotóxicos. E com essa promessa vieram também as dúvidas sobre os efeitos secundários dos transgênicos e as conseqüências que podem provocar na saúde e no ambiente.
É uma discussão que envolve oposições econômicas, sociais e ambientais. De um lado estão os defensores da biotecnologia, que defendem o aumento da produção de alimentos a partir da redução de custos a ponto de atacar o problema da fome mundial. De outro lado, estão aqueles que argumentam sobre o impacto ainda desconhecido dos transgênicos sobre a saúde e o meio ambiente.
As principais variedades transgênicas da grande agricultura como soja, milho, algodão, canela, mandioca, tabaco, arroz, tomate e trigo são controladas atualmente por poucas empresas multinacionais como a Novartis, a Monsanto, a Du Pont, a AstraZeneca e a Aventis.
Como as sementes transgênicas, diferentemente das sementes tradicionais, nunca são geradas pela própria planta e, portanto, têm que ser adquiridas a cada novo plantio, teme-se que tais corporações assumam o controle da produção das sementes transgênicas e isso resulte no controle do mercado mundial de alimentos, apesar da vasta produção de produtos orgânicos.
Talvez o mundo não esteja ainda totalmente preparado para os grandes avanços da era da moderna biotecnologia ou tecnologia do DNA recombinante. A chegada da genética como a nova matéria prima da economia, provavelmente irá causar grandes modificações na história da humanidade.

FAO – Agricultura Mundial até 2030 – principais pontos
Este sumário do relatório da FAO é uma pequena versão dos resultados do estudo técnico feito pela entidade: “Agricultura Mundial: dirigindo a 2015/2030”

Segundo um informe realizado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), a população mundial crescerá de cerca de 7 bilhões de pessoas de hoje para 8,3 bilhões de pessoas em 2030. O crescimento populacional ocorrerá em uma taxa média de 1,1% por ano até 2030, o que denota um ritmo mais lento quando comparado com o crescimento anual dos últimos 30 anos, que foi de 1,7%. Como resultado disso, o crescimento mundial na demanda por produtos agrícolas deverá ser mais lento nos próximos anos, passando de uma média de 2,2% por ano nos últimos 30 anos para 1,5% por ano até 2030. Nos países em desenvolvimento, essa redução no crescimento da demanda será mais dramática, passando dos 3,7% dos últimos 30 anos para uma média de 2% até 2030.
No entanto, os países em desenvolvimento com níveis de consumos baixos a médios, que representam cerca da metade da população dos países em desenvolvimento, terão um lento decréscimo no crescimento da demanda por alimentos que passará de 2,9% para 2,5% por ano, e um aumento do consumo per capita.
A população mundial passará a se alimentar cada vez melhor até 2030, com 3050 quilocalorias disponíveis por pessoa, comparado com as 2360 quilocalorias disponíveis por pessoa por dia na década de sessenta e com as 2800 disponíveis hoje. Esta mudança reflete, sobretudo, o aumento do consumo em muitos países em desenvolvimento, onde a média ficará em torno de 3000 quilocalorias em 2030.
O número de pessoas passando fome nos países em desenvolvimento deverá declinar de 777 milhões de hoje para cerca de 440 milhões em 2030. Isto significa que a meta traçada pela Cúpula Mundial de Alimentação de 1996, de reduzir o número de pessoas que passam fome pela metade do nível de 1990-92 (815 milhões) até 2015, não será cumprida nem até 2030. A região do deserto do Saara na África é causa de sérias preocupações, porque o número de pessoas cronicamente subnutridas deverá decrescer somente de 194 para 183 milhões.
Os padrões de consumo de alimentos estão se tornando mais similares através do mundo, deslocando-se em direção a alimentos de maior qualidade e mais caros, como produtos derivados de carne e leite. O consumo de carne nos países em desenvolvimento, por exemplo, aumentou de apenas 10 quilos por pessoa por ano em 1964-66 para 26 quilos em 1997-99. A projeção é que este consumo aumente para 37 quilos per capita por ano até 2030. O leite e os produtos lácteos também têm visto um rápido crescimento, com o consumo per capita passando de 28 quilos por ano em 1964-66 para 45 quilos atualmente, e deverá aumentar para 66 quilos até 2030. A FAO espera que o aumento no consumo de carne e lácteos seja menos dramático do que o ocorrido no passado.
Os cereais ainda são, de longe, a mais importante fonte de alimentos do mundo, tanto para consumo humano direto, como para produção de carne. Serão necessários bilhões de toneladas extras de cereais até 2030.
Os países em desenvolvimento se tornarão cada vez mais dependentes das importações de cereais, carnes e leite, uma vez que sua produção não acompanhará o ritmo da demanda. Até 2030, eles poderão estar produzindo somente 86% de suas necessidades de cereais, com as importações líquidas aumentando dos atuais 103 milhões de toneladas para 265 milhões de toneladas até 2030.
Os tradicionais exportadores de grãos, como os Estados Unidos, a União Européia, o Canadá, a Austrália e a Argentina, e os países em transição que estão emergindo como exportadores, deverão produzir o excesso necessário para preencher a lacuna dos países em desenvolvimento. “Se os preços reais dos alimentos não aumentarem, e as exportações dos produtos e serviços das indústrias aumentarem como anteriormente, então a maioria dos países terá recursos para importar cereais para suprir suas necessidades. Entretanto, os países mais pobres tendem a ser menos hábeis para pagar pelas importações”, informou o documento da FAO.
O uso de cereais na nutrição dos animais não contribui com a fome e a desnutrição. Globalmente, cerca de 660 milhões de toneladas de cereais são utilizadas na alimentação dos animais a cada ano. Isto representa um terço do total utilizado mundialmente. Se estes cereais não fossem utilizados como alimentos dos animais, eles provavelmente não seriam produzidos, de forma que não estariam disponíveis para consumo humano em muitos casos, de acordo com o relatório. O que é mais provável é que a ausência da demanda por cereais para a produção animal levasse a uma menor produção destes cereais.