Em tempos
de jogos de Copa do Mundo a repercussão das partidas de futebol toma conta dos
noticiários e a política sorrateiramente continua traçando seus caminhos um
pouco mais longe dos holofotes, mas segue costurando um pouco aqui outro ali;
um olho no campo e outro nas negociações.
Até o
último dia de junho teremos terminado as convenções partidárias para escolha
dos candidatos ao pleito de 2014. A Copa do Mundo estará recém entrando na sua
segunda fase de jogos mata-mata, termo que pode ser também aplicado à política,
pois candidatos também serão fritados enquanto outros receberão atenção
redobrada.
Uma
eleição começa ser vencida nos bastidores, nos acordos, nas coligações, nas
convenções. Quando julho chegar o jogo é para valer, não apenas na copa do
mundo que caminhará para sua reta final, mas também para o jogo da politica.
Candidatos a postos, começa a corrida eleitoral.
O quanto
o resultado da Copa irá influenciar a campanha eleitoral somente o tempo poderá
dizer. Mas algo é certo: os governistas, tanto federal quanto dos estados onde
ocorrem os jogos, estarão torcendo como nunca para o sucesso não só da seleção
brasileira, mas do evento em si.
As
manifestações tão prometidas para este período ainda não tomaram corpo. Grande
responsabilidade dos chamados black blocs, que espantaram o povo das ruas e
jogaram para dentro de suas casas as famílias. Este movimento foi um atentado a
aprendizagem democrática, pois aniquilou o cidadão de bem que quer mudança sem
destruição.
A mal
fadada abertura dos jogos, fiasco mundial, só serviu para vitimar a ré num ato
covarde de xingamento, que deixa transparecer muito mais a falta de compostura
e educação de um povo do que um protesto em si, terminou por agredir a
presidente do país, quando poderíamos usar o momento para protestar, vaiar ou
reivindicar.
Mas esta
descompostura não é inédita: em 2001, o então candidato Lula também fez algo
parecido com o presidente da República da época, tanto que pediu desculpas em
seguida pelo xingamento.
Pesquisas
daqui para frente viram jogo de interesse. Como as regras e o caráter não são
claros, vai depender de quem contratar o instituto para coletar e processar os
dados, pois tudo será motivo de ganho ou perda de espaço junto ao eleitorado.
Quando os jogos terminarem virão o alívio e as frustrações. Só não sabemos
ainda para quem.
Nelson
Rodrigues, “o mestre das crônicas imortais” que escreveu “a pátria de
chuteiras”, se vivo fosse hoje, diria que a pátria usa tênis, pois apesar dos
jogos serem aqui, parece não convencer mais com a mesma ênfase de décadas
anteriores. Fruto de uma melhor escolarização, quem sabe. Hoje já há muitos que
separam o ato de torcer das coisas da política. Mas inegavelmente a ira da
derrota ou o prazer da vitória poderá ditar o humor do eleitor nos próximos
meses.
As regras
das eleições são muito ruins, principalmente em se tratando de eleições
proporcionais, aonde o menos votado entra em detrimento de outros com mais
votos e a reeleição é gestada pela máquina governista. O que sabemos é que a
falta de planejamento dos governantes faz com que qualquer governo acima de quatro
anos no poder se torne corrupto e cansativo.
A falta
de expectativa e de gente realmente nova na política é outro fator desanimador;
é sempre muito do mesmo e isso vem cansando o eleitorado. Tornam-se
insuportáveis os discursos sobre educação, saúde, segurança, bolsa tudo,
geração de emprego... Precisamos de falas novas para velhos problemas que,
apesar de velhos no discurso, nunca foram resolvidos.
Que a
Copa não sirva de desculpa para cegar e empobrecer o debate político.
Precisamos retomar o crescimento, diminuir impostos, mudar o pacto federativo e
reencontrar o caminho da democracia, tão abalada nos últimos anos com o
aparelhamento do Estado. Os três poderes precisam ser independentes de verdade.
Que o
jogo da política não comece como a seleção brasileira na Copa, fazendo de cara
um gol contra e depois sendo ajudada pelo juiz.
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